No retorno ao ciclismo brasileiro, Luciano Pagliarini ainda não encontrou o profissionalismo que marcou seus anos da carreira na Europa. Quando o araponguense trocou de equipe, no início do ano, apostou que poderia engrenar. Se na Memorial/Santos/Giant ele conviveu com a falta de pretensão dos dirigentes, na Scott/Marcondes César/São José dos Campos os atrasos salariais fizeram o ciclista deixar de correr o Campeonato Brasileiro de Estrada como forma de protesto.
Após cinco meses representando a equipe, Pagliarini estava com dois salários atrasados e reclama de não ter recebido integralmente nenhuma parcela. ''Cansei das mentiras deles. Tem ciclista, mecânico e outros membros da comissão técnica com pendências desde o ano passado e não conseguem receber'', desabafou. Após o protesto, a diretoria acertou parte dos atrasados.
Pagliarini entrou em contato com a União Ciclística Internacional (UCI) e formalizou uma denúncia contra a Scott/Marcondes César/São José dos Campos pedindo o bloqueio da licença para competições internacionais, ao lado do argentino Jorge Giacinti e do russo Andrey Sartasov. ''Eles entraram na mesma época que eu e nunca receberam nada. Para retirar o bloqueio, o correto seria primeiro quitar todas as dívidas'', cobrou.
O araponguense acredita que a equipe não carece de falta de verba devido ao aporte financeiro da prefeitura de São José dos Campos e outros patrocinadores. ''Tanto que um dia depois do protesto ele pagou uma parte. Porque ele esperou fazer esse barulho todo? Se tinha dinheiro, porque esperar chegar nesse ponto? Alguma coisa tem'', completou.
Ele explica que o problema é antigo e muitos ciclistas não cobram uma posição da direção da equipe em função do respaldo que a Scott Marcondes possui no cenário brasileiro. ''Tem gente que fica contente com a imagem de correr na Scott, mas não é assim'', sacramentou.
O técnico da Scott/Marcondes César, José Carlos Monteiro, reconheceu que houve atrasos nos salários do ciclista, mas que ''já havia sido tudo pago''. ''Na verdade, o pagamento no último mês estava programado para dia 15 mas caiu só no dia 25. Houve sim alguns atrasos, mas é em função da transição da equipe para o circuito internacional'', justificou.
Quanto ao risco de perder a licença internacional, Monteiro afirma que ''tudo pode acontecer''. ''Talvez nos próximos anos esteja comprometido. Quando se coloca a equipe e os atletas no circuito internacional se corre riscos. A direção da UCI nos contou que os atrasos acontecem no mundo todo. Tem que ver também que passamos por problemas com patrocinadores'', finalizou.

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