O londrinense Luciano Pagliarini viajou na sexta-feira para a Itália realizando o sonho de todo o ciclista. Depois de dois anos de circuito semi-profissional italiano, o brasileiro vai integrar o grupo da Lampre-Daikin, uma das melhores do mundo, um privilégio de poucos no Brasil, como Mauro Ribeiro e Cassio de Paiva.
O sucesso de Pagliarini foi uma recompensa para uma vida de desafios. O primeiro, no início da carreira, foi a falta de estrutura e a pouca divulgação do ciclismo nacional. A falta de tradição no esporte trouxe dificuldades quando o ciclista viajou para a Itália, disposto a dar uma guinada na carreira. Mesmo tendo feito parte das melhores equipes do Brasil, competiu por dois anos em uma equipe semi-profissional, Calore, para ganhar experiência.
Mas os progressos na Europa contrastavam com os problemas no Brasil. Em meio a brigas políticas na Confederação Brasileira de Ciclismo, Pagliarini não participou da Olimpíada de Sydney. ‘‘Eles boicotavam qualquer ciclista da equipe Caloi’’, acusa.
A recente eleição de Bruno Caloi para a Confederação traz esperanças. ‘‘Espero que ele aumente os intercâmbios internacionais para que a gente possa formar uma equipe para competir na próxima Olimpíada.’’
Esse, no entanto, não foi o último desafio do ciclista. Faltando quatro dias para o embarque para a Itália, previsto para o dia 22 de janeiro, o ciclista sofreu um acidente na região de Londrina, onde mora a família, e quebrou a clavícula. A viagem foi adiada e Pagliarini perdeu a pré-temporada. ‘‘Fiquei alguns dias parados, mas depois voltei aos treinos’’, conta. Na Itália o ciclista terá
de superar a falta de ritmo de competição, o que espera fazer em pouco tempo.
Mesmo com tantos problemas, Pagliarini espera cumprir o objetivo audacioso que traçou para a nova fase: ser capitão do time em três ou quatro anos. Este ano, fará parte do time B da equipe, participando das Voltas da Espanha, Holanda, Polônia, Suíça e Portugal.

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