Londrina - O paranaense Luciano Pagliarini, 31 anos, maior nome do ciclismo brasileiro ao lado de Murilo Fischer, passa pelo pior momento de sua carreira. Depois de conseguir o respeito das equipes e atletas internacionais que disputam o Circuito Protour - divisão especial do Circuito Mundial - o atleta vem sendo vítima de problemas sucessivos envolvendo suas equipes e está ameaçado de nem correr este ano.
Seu inferno astral começou após a Olimpíada de Pequim - na qual representou o Brasil ao lado de Fischer -, quando dois velocistas de sua ex-equipe, a espanhola Sunier Duval/Scott, foram pegos por doping na Volta da França, principal competição de ciclismo do planeta. Pagliarini não participou, mas sentiu na pele os efeitos do escândalo em nível mundial. A organização da Volta expulsou a equipe, anulou os resultados que ela havia obtido (duas vitórias) e os italianos Ricardo Ricc• e Leonardo Piepolli, pegos no doping, foram banidos do esporte.
As consequências fora da esfera esportiva foram imediatas. Ao saberem do episódio, dirigentes da empresa Sunier Duval anunciaram o rompimento unilateral do contrato de patrocínio com a equipe de Pagliarini. Para não deixar os atletas ''órfãos'' até o final do ano, a Scott, fabricantes de bicicletas, assumiu os gastos da equipe, mas só até o fim da temporada, quando o grupo de desmantelou.
Em depoimento dado à FOLHA em novembro, Pagliarini se mostrou irado com o que chamou de ''atitude irresponsável'' de Ricc• e Piepolli, que ''respingou'' nos 75 funcionários da equipe, que ficaram sem emprego. Classificou ainda a temporada como ''frustrante'' em função do episódio.
Novo tombo
E o pior ainda estava por vir. Ao sair da Scott, o paranaense teve inicialmente uma ótima notícia. Em apenas dez dias foi convidado para integrar uma equipe em formação, a francesa TelTech-H2O, mantida pela empresa canadense TelTech, do ramo de tecnologia. Tudo caminhava bem e 20 ciclistas profissionais treinavam diariamente já com o novo uniforme e grandes metas em mente. Porém, no dia 19 de fevereiro, a União Ciclística Internacional (UCI) cassou o registro da TelTech-H2O e a impediu de disputar competições este ano.
''Com isso ficamos de novo num mar de incertezas e sem a perspectiva de se iremos competir este ano. Estou aqui em casa esperando e só acompanhndo as competições pela tevê. Mas estou muito preocupado'', confessou o ciclista em entrevista à FOLHA ontem à tarde, por telefone. Paglirini começou a carreira em Londrina, onde mora sua família, e está há 11 anos em Treviso (Itália). Ele vem só nas férias para o Brasil.
O ciclista informou que dos 20 profissionais que assinaram com a TelTech, onze já deixaram o time e foram para equipes menores ''para receberem metade do que recebiam no ano passado''. ''Eles saíram para não perder a temporada, mas ainda vou aguardar até início de abril, confiante de que haja alguma parceria com outra equipe'', afirmou.

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