O Paranavaí Atlético Clube (PAC), equipe da terceira divisão do Paraná, encontrou uma saída para aliviar a folha de pagamentos do time pelos próximos quatro meses: ‘‘exportou’’ 17 jogadores mais a comisão técnica ao Ivinhema, do Mato Grosso. Os atletas do PAC estréiam hoje no Ivinhema enfrentando o Operário (MT), em Cuiabá, em jogo válido pela Copa Centro-Oeste.
‘‘Precisava manter os jogadores em atividade. Como não queria separá-los para o time não perder o padrão de jogo, decide emprestá-los’’, explica Antônio Plácido Vendramim, o Nico, presidente do PAC. Ele destaca que já tinha oferecido a estrutura do PAC a Iguaçu e Umuarama, equipes da Série A-2 do Paranaense.
Apesar de não revelar o valor do empréstimo do time, Nico garante ter feito um bom negócio. ‘‘O Ivinhema vai nos repassar um valor mínimo suficiente para pagar os jogadores e a comissão técnica, além de arcar com as despesas de alimentação e moradia do pessoal lá. Em julho, eles retornam para disputar a Série A-3 do Paraná.’’
A estratégia do PAC já foi seguida pelo Iraty, equipe da Série A-1 do Paraná. Em 98, o Iraty emprestou boa parte do seu elenco para o XV de Piracicaba disputar a Série B do Brasileirão. O atacante Gauchinho, revelação do Iraty, tornou-se artilheiro da Série B com 14 gols e hoje joga no Cerro Porte¤o, do Paraguai.
O Paranavaí Atlético Clube foi fundado em janeiro de 1997 e pode ser considerado uma cisão com o tradicional Atlético Clube Paranavaí (ACP), que existe desde 1946 e hoje participa da Série A-2 do Paraná. O próprio Vendramim já foi presidente do ACP entre 90 e 91. ‘‘Continuei colaborando com o ACP até 1996, quando reuni um grupo de amigos e decidi fundar uma escola de futebol, incluindo ainda aulas de judô, tae kown-do e xadrez’’, conta Nico.
O PAC conta hoje com 48 jogadores entre 7 e 22 anos que ficam alojados em uma casa adaptada na rua Bahia, no centro de Paranavaí. Os atletas recebem ajuda de custo que, segundo Nico, ‘‘é variável e menor que o salário mínimo’’.
Além do trabalho de formação de jogadores, o PAC mantém uma parceria com a prefeitura para retirar menores das ruas. Implantado em 1997, o projeto envolve cerca de 600 crianças que recebem aulas de futebol por monitores do PAC. A prefeitura paga ao clube R$ 2 mil mensais. As aulas acontecem nos campos de futebol oferecidos pelas associações de bairro. ‘‘É um trabalho educativo e social. É um trabalho gostoso, que dá frutos. Nosso objetivo não é só formar o atleta, mas também o homem e o ser humano’’, diz Nico, que através de sua fazenda abastece o time com laranja, mandioca e hortaliças. A próxima investida do PAC é a construção de centro de treinamentos numa área de oito alqueires, de propriedade de Vendramim.

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