Dortmund - Que a Itália seja defensiva por tradição, isso ninguém nega. Mas foi a ousadia de partir para o ataque que garantiu à Squadra Azzurra a vitória sobre a Alemanha. E, com os dois gols marcados ontem, os italianos passam a ter, ao lado dos donos da casa, o melhor ataque da competição, com 11 gols.
O técnico Marcello Lippi, porém, afirma que, apesar de ter posto o time para atacar, não expôs a equipe: ''Nos arriscamos muito pouco. A Alemanha deu só um chute a gol''.
Na verdade, foram dois. Para Lippi, não importa que um tenha passado perto do travessão, e outro, obrigado Buffon a fazer grande defesa. Foram os únicos lances de real perigo para a Itália em 120 minutos. ''Esses rapazes são especiais. Eles estão fazendo uma nação sonhar'', afirmou o treinador.
Lippi vem reiteradamente destacando o papel do grupo ao longo dos jogos nesta Copa. A vitória mais difícil e mais importante da Azzurra sob o comando de Lippi veio exatamente quando ele, pela primeira vez em 29 jogos à frente da equipe, repetiu a escalação. Se o time que entrou em campo no jogo de ontem foi o mesmo que enfrentou a Ucrânia nas quartas-de-final, o que terminou, não foi. E foram exatamente as mudanças que deram à Itália a vitória.
Pouco antes de acabar o tempo regulamentar, Marcello Lippi pedia tranquilidade. Com uma mão, segurou a bola que saiu perto do banco; com a outra, pediu calma ao jogador que bateria o lateral: Grosso.
O pedido, porém, tinha prazo certo para acabar. O treinador voltou para a prorrogação com mais um atacante no time. Mudava, assim, o esquema tático que lhe garantira a vitória por 3 a 0 sobre a Ucrânia. O 4-4-1-1 mudou para 4-4-2 quando o volante Camoranesi deu lugar ao atacante Iaquinta.
Treze minutos depois, nova mudança do treinador: sai o volante Perrotta para entrar o atacante Del Piero. Lippi, a 15 minutos do final da prorrogação, deixa a defensiva Itália com três atacantes. A estratégia, como se sabe, deu certo. Lippi não vê de outra forma: ''Controlamos a partida, jogamos melhor e merecemos a vitória'', disse o técnico italiano. ''Eu acho que seria uma grande injustiça se não vencêssemos esta partida'', completou o treinador italiano.
Aos 31 anos e atuando pela forte Juventus de Turim, Del Piero vem sendo deixado na reserva de Luca Toni, artilheiro do último calcio, mas que nunca jogou por grandes equipes.

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