'Ou rumava para a vitória, ou não iria fazer pontos'
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de julho de 2000
Agência Estado De Hockenheim, Alemanha 
O momento-chave do GP da Alemanha ocorreu na 35ª volta, a dez da bandeirada, quando a chuva começou a cair mais forte. Rubens Barrichello, com voz embargada, por vezes com lágrimas na face, contou, na entrevista de ontem, sua mais difícil decisão na prova: Respondi ao Ross Brawn (diretor-técnico da Ferrari) que não desejava trocar os pneus. Os seus eram para asfalto seco. Fique de olho no tempo do Hakkinen, Ross, está muito seco ainda lá na floresta.
O finlandês havia parado exatamente na 35ª volta para colocar pneus para chuva. Rubens, se você mantiver esse ritmo você ganha a corrida, Brawn lhe falou pelo rádio. Depois de duas voltas eu já havia concluído que se não chovesse mais o Hakkinen não me alcançaria, contou, emocionando-se ainda mais. Naquelas duas voltas que faltavam eu chorava, pensando em tanta coisa, como no fato de Deus reservar o dia para mim.
O piloto da Ferrari explicou que a decisão de não parar nos boxes quando a chuva começou, quase no final da prova, a fim de colocar pneus apropriados para pista molhada, foi totalmente sua. Tive que optar, ou rumava para a vitória, ou não iria fazer pontos.
O brasileiro não conseguiu esconder a emoção por tudo o que aconteceu. Após ter largado em 18º lugar, fez uma corrida de recuperação impressionante. Só posso dizer que é muito bom estar nesta situação, disse, aproveitando também para dar uma cutucada em todos que, de alguma forma, lhe criticaram durante a carreira.
Quem vence na F-1 diz que depois da primeira vitória as outras surgirão naturalmente, lembrou Rubinho. Espero realmente que sim, o peso que eu carreguei ninguém pode imaginar, disse ele, que dedicou seu triunfo a Ayrton Senna, piloto brasileiro morto em 1994. E a Silvana, minha esposa, que neste momento deve estar mais feliz do que eu.


