O momento-chave do GP da Alemanha ocorreu na 35ª volta, a dez da bandeirada, quando a chuva começou a cair mais forte. Rubens Barrichello, com voz embargada, por vezes com lágrimas na face, contou, na entrevista de ontem, sua mais difícil decisão na prova: ‘‘Respondi ao Ross Brawn (diretor-técnico da Ferrari) que não desejava trocar os pneus.’’ Os seus eram para asfalto seco. ‘‘Fique de olho no tempo do Hakkinen, Ross, está muito seco ainda lá na floresta.’’
O finlandês havia parado exatamente na 35ª volta para colocar pneus para chuva. ‘‘Rubens, se você mantiver esse ritmo você ganha a corrida’’, Brawn lhe falou pelo rádio. ‘‘Depois de duas voltas eu já havia concluído que se não chovesse mais o Hakkinen não me alcançaria’’, contou, emocionando-se ainda mais. ‘‘Naquelas duas voltas que faltavam eu chorava, pensando em tanta coisa, como no fato de Deus reservar o dia para mim.’’
O piloto da Ferrari explicou que a decisão de não parar nos boxes quando a chuva começou, quase no final da prova, a fim de colocar pneus apropriados para pista molhada, foi totalmente sua. ‘‘Tive que optar, ou rumava para a vitória, ou não iria fazer pontos.’’
O brasileiro não conseguiu esconder a emoção por tudo o que aconteceu. Após ter largado em 18º lugar, fez uma corrida de recuperação impressionante. ‘‘Só posso dizer que é muito bom estar nesta situação’’, disse, aproveitando também para dar uma cutucada em todos que, de alguma forma, lhe criticaram durante a carreira.
Quem vence na F-1 diz que depois da primeira vitória as outras surgirão naturalmente, lembrou Rubinho. ‘‘Espero realmente que sim, o peso que eu carreguei ninguém pode imaginar’’, disse ele, que dedicou seu triunfo a Ayrton Senna, piloto brasileiro morto em 1994. ‘‘E a Silvana, minha esposa, que neste momento deve estar mais feliz do que eu.’’

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