Agência Estado
De São Paulo
O Corinthians continuará sendo uma equipe pragmática, jogando pelo resultado e administrando a vantagem dos empates no confronto com o São Paulo. Quem garante é o técnico Oswaldo de Oliveira, que ontem disse que o time não mudará as características que demonstrou no duelo anterior, contra o Guarani.
A estratégia para o jogo de domingo, no Morumbi, é a mesma da primeira partida que o Corinthians disputou nos playoffs, no estádio Brinco de Ouro, em Campinas: não perder. A equipe deixará a iniciativa por conta do São Paulo e vai explorar o contra-ataque, seu ponto forte.
‘‘Nós vamos atacar também, mas sempre jogaremos pelo regulamento, como foi desde a primeira fase’’, disse Oswaldo, que prevê uma disputa em três partidas. ‘‘É o São Paulo que tem de reverter a vantagem; quem não reverteu no primeiro jogo das quartas-de-final, não conseguiu classificar-se’’, acrescentou.
O Corinthians terá pela frente, a partir de domingo, pela semifinal do Campeonato Brasileiro, um adversário que vive o seu melhor momento no semestre. Essa é a análise do técnico Paulo César Carpegiani, confiante no São Paulo após tantas ‘‘batalhas’’ dentro e fora de campo. ‘‘Estamos motivados, fortalecidos e dispostos a tudo para conseguir uma vaga na decisão’’, afirmou.
A força do Tricolor, antes criticado pela falta de garra, surgiu com as derrotas judiciais no tribunal, que tiraram do clube quatro pontos, três ganhos diante do Botafogo-RJ e outro contra o Internacional. ‘‘O grupo quis provar, então, que tinha condições de vencer, mesmo com todos os obstáculos’’, lembrou o goleiro Rogério, destaque nas partidas finais contra a Ponte Preta, em Campinas.
As constantes ameaças da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) de punir o clube por causa de ação impetrada na Justiça Federal serviram para dar motivação aos jogadores. Na noite de quarta, momentos antes do terceiro jogo contra a Ponte, o presidente interino da entidade, Alfredo Nunes, declarou que a CBF pediria à Fifa uma suspensão ao São Paulo. Mais um motivo para fortelecer a equipe.
Em campo, a pressão da torcida campineira, que chegou a apedrejar o ônibus são-paulino, o gramado esburacado do Estádio Moisés Lucarelli e as provocações do atacante Régis também acabaram beneficiando o time da capital. ‘‘Nossa vitória (3 a 2) mostrou, a muita gente que falou besteira durante a semana, quem é o melhor’’, desabafou o volante Jorginho, em resposta a Régis, que chamou o adversário de ‘‘pó-de-arroz’’, pela falta de garra em campo.
Segundo Carpegiani, inverter a vantagem do Corinthians, dono da melhor campanha na fase de classificação, será o próximo desafio. O treinador prevê uma disputa dramática, digna dos melhores clássicos regionais.
Prefere não apontar favoritos, mas garante confiar totalmente na superação de seus atletas. A briga vale uma vaga na Taça Libertadores do próximo ano, além de dar ao São Paulo a oportunidade de uma nova conquista nacional, a exemplo de 1991, quando o time foi campeão brasileiro pela última vez.

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