Oswaldo pede reconhecimento e menos cobrança
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quinta-feira, 16 de dezembro de 1999
Por Arnaldo Ribeiro e Wilson Baldini Jr. 
Atibaia, 16 (AE) - Quando vão reconhecer o meu trabalho? Quando vão pelo menos dar tranquilidade para eu trabalhar? Quando vão acabar as cobranças descabidas? O técnico Oswaldo de Oliveira, 49 anos, vive a segunda decisão no primeiro ano de sua carreira-solo muito desgastado e até desiludido por não encontrar respostas para estas questões. Hoje, ele desabafou.
"Há um ano atrás eu nem sonhava em me tornar treinador; cheguei desconhecido ao Corinthians, sem história, e era natural que a torcida e até os jogadores desconfiassem do meu trabalho"
relembra. "Apesar disso, provei com resultados, já que fui campeão paulista e estou na final do Brasileiro com uma campanha irrepreensível; nem assim, amainaram as críticas (da imprensa): detesto advogar em causa própria, mas acho que mereço o reconhecimento."
Oswaldo não tem explicações para o descrédito. "É como se eu olhasse todo dia num caleidoscópio, procurando uma explicação, mas acho que eu não a encontraria nem se eu ficasse mais 300 anos no futebol." O treinador pelo menos arrisca um motivo para a resistência ao seu trabalho: "As pessoas não admitem que um desconhecido esteja ocupando o espaço que eu ocupo hoje."
O meia Marcelinho Carioca, um dos seus maiores fãs, concorda: "O comando no Corinthians provoca muito ciúmes; o Oswaldo não coloca as coisas em público, mas cobra a gente internamente: nós o respeitamos muito, ele é nosso comandante e tem toda a autoridade." Apesar do apoio dos atletas, as comparações com treinadores mais renomados e "autoritários" ainda incomodam Oswaldo. Ele admite que os profissionais mais extrovertidos conseguem cativar a mídia com maior facilidade.
"A maneira deles atuarem agrada mais aos olhos, é mais plástico: a televisão está aí para isso", define. "Não preciso gesticular e berrar para passar uma instrução; chamo no canto e falo com o jogador", afirma.
Oswaldo nem cogita mudar de estilo. "Não sou ator; sou treinador de futebol e não gosto de chamar a atenção", diz. "Outros treinadores, como Carlinhos (Flamengo) e Paulo Autuori (Cruzeiro), têm o mesmo comportamento." Quanto a Wanderley Luxemburgo, o seu mestre, Oswaldo também evita comparações. "Gosto muito dele e de seu trabalho, mas não tem cabimento este tipo de coisa: somos duas pessoas completamente diferentes."
Emprego ameaçado - Oswaldo tem a convicção que, mesmo conquistando o título brasileiro, não vai tornar-se uma unanimidade. "Meu reconhecimento vai durar apenas até o Mundial de Clubes, ou seja: durante 15 dias", diz. "No Brasil, se você não ganha os campeonatos, independentemente do retrospecto, está fadado a perder o seu lugar: é inquestionável."
O desgaste que representa dirigir o Corinthians já fez Oswaldo
internamente, pensar em largar tudo. "É muita coisa para gerenciar; diretoria, jogadores, torcida e imprensa, além dos adversários." A vida pessoal do treinador foi completamente invadida. "Tive de sacrificar a minha privacidade e sinto falta de um maior convívio com a família, das mínimas coisas."
Num momento de tensão e decisão como este, Oswaldo ouve música e faz palavras cruzadas para relaxar. "Gosto de música instrumental, jazz; trouxe para Atibaia umas quatro ou cinco fitas, daquelas prediletas, para passar o tempo."


