São Paulo, 23 (AE) - Após ter provocado um racha no grupo de jogadores, a greve de silêncio no Corinthians acabou hoje, véspera do jogo decisivo contra o Guarani, quando o time pode até perder por dois gols de diferença que estará classificado para as semifinais do Campeonato Brasileiro. O técnico Oswaldo de Oliveira assumiu oficialmente a responsabilidade sobre o fim do boicote à imprensa. "A decisão foi minha, disse ele, que desde sexta-feira, tentava, em vão, encerrar o movimento. Na verdade, Oswaldo aproveitou-se da divisão do elenco para tentar retomar o comando sobre o time.
A lei do silêncio, idealizada por Edílson e Vampeta, começou a perder força quando outros líderes do grupo, como Rincón, passaram a contestá-la. "Tiramos proveito desta situação até quando nos interessou, até quando não havia nenhuma dúvida sobre ela, disse Oswaldo. "É normal que num grupo de 40 pessoas, uns pensem de uma forma e outros, de outra.
Sobre a possibilidade de ter recuperado o controle sobre os atletas, Oswaldo foi seco. "Não gosto de advogar em causa própria. Para o capitão Rincón, "só Oswaldo poderia acabar com isso. "Ele é o comandante do grupo e temos de acatar suas ordens, disse o atacante Dinei. "Na minha opinião, nós dependemos da imprensa e a imprensa depende da gente.
Apesar das manifestações de apoio, Oswaldo ainda terá dificuldades para controlar as vaidades no Corinthians. Edílson e Vampeta continuam evitando a imprensa. "É um direito individual de cada um deles, disse o técnico.
Marcelinho, por sua vez, afirmou que houve uma reunião na segunda-feira, na concentração, entre os jogadores, sem a presença do técnico, onde começou a ser definido o fim do silêncio. Ninguém confirmou essa informação. "São decisões internas, do grupo, disse.
Marcelinho também revelou o que todos sabiam desde o início. O movimento foi um protesto contra reportagens mostrando alguns jogadores do time na noite paulistana e não um simples fato para aumentar a concentração dos atletas nos jogos. "Vocês devem perguntar sobre a nossa vida dentro de campo, não extra-campo, disse, ainda irritado.
Para acalmar os ânimos, Oswaldo comandou um treino recreativo na tarde de hoje e inclusive participou dele. Ele disse também que as entrevistas daqui em diante só serão dadas em campo e não mais no estacionamento do Parque São Jorge. Nos dias de jogos, só o treinador fala com os repórteres.
Mudanças - Para não perder o Guarani de vista, Oswaldo resolveu fazer mistério e só vai divulgar a escalação do time momentos antes da partida. Ele não contará com o zagueiro João Carlos, que sentiu hoje uma fisgada na parte posterior da coxa direita. Márcio Costa é o substituto.
Luizão, recuperado de contusão, e César Prates e Augusto, que já cumpriram suspensão automática, não tiveram seus retornos confirmados pelo técnico. "Agora, é o Carlos Alberto (Silva, técnico do Guarani), que vai ter de preparar a equipe dele em função da minha, disse Oswaldo. Corinthians - Dida; César Prates (Índio), Márcio Costa, Nenê e Kléber (Augusto); Rincón, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho; Edílson e Luizão (Fernando Baiano). Técnico - Oswaldo de Oliveira. Juiz - Romildo Correia Local - Morumbi (21h40)

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