São Paulo, 10 (AE) - Na batalha diária pela sua permanência no comando do Corinthians, Oswaldo de Oliveira tem encontrado mais dificuldades em provar que é um técnico disciplinador do que um bom estrategista. Desde que reassumiu o time, há 40 dias, ele tem convivido com casos isolados de indisciplina, fato comum num elenco formado por jogadores de difícil convívio, como ficou provado em 1998.
Primeiro, foi o goleiro Nei, que revoltou-se ao ser substituído por Maurício. Depois, o atacante Dinei, que rebelou-se com a reserva.
Agora, é a vez de Marcelinho Carioca colocar a autoridade de Oswaldo em jogo. Os dois discutiram asperamente no fim do jogo com o São Paulo.
Oswaldo optou por substituir o jogador, que saiu irritado, gesticulando e sem dar declarações. Depois, no vestiário, os dois apareceram abraçados para explicar o conflito.
Diferentemente do antecessor Wanderley Luxemburgo, Oswaldo procura administrar os problemas internos sem fazer alarde, com conversa, e procurando abreviá-los ao máximo. "Procuro manter as minhas mãos no bolso, sempre que possível: discrição e cautela nunca são demais, afirmou ele, que, porém, garante saber o momento de ser enérgico.
"Minha conduta é ponderada, mas tudo tem um limite. Com Marcelinho, Oswaldo garante que já está tudo superado. "Foi apenas uma discussão de jogo; aqui, no Corinthians, as coisas assumem dimensões exageradas, disse. "O Marcelinho é um cara mercurial; naquele momento do jogo, o mercúrio dele subiu, mas agora tudo voltou ao normal e ele vai me obedecer.
Marcelinho também quis encerrar o caso. "Ele pediu para que eu voltasse na marcação e eu não aguentava mais: só isso, disse. "O problema é que um espirro meu no Corinthians vira uma gripe, uma pneumonia; mas eu e o Oswaldo somos amigos particulares e eu sempre lutei pela permanência dele aqui.
Revanche? - Pensando na decisão, Oswaldo diz que pretende aproveitar a sede de revanche de alguns jogadores em relação ao Palmeiras para motivar ainda mais o grupo, mas não quer que os jogadores entrem em campo pensando numa vingança, para que ninguém seja expulso. "É um jogo pesado no aspecto psicológico e nós temos de ter controle. Talvez por isso, os jogadores hoje já não falavam tão enfaticamente em dar o troco da eliminação na Taça Libertadores no adversário. Marcelinho evitou comentar seu desentendimento com Paulo Nunes.
Oswaldo está mais preocupado com o lado tático da decisão. "Eles têm um grupo muito grande, estão fazendo um revezamento e devem ter uma formação desconhecida no domingo, analisou. O treinador não aceita a tese de que o adversário esteja cansado. "Nós temos atletas aqui que jogaram mais este ano que os jogadores do Palmeiras; fazendo esse rodízio, eles estão descansando, justificou.
A grande preocupação de Oswaldo ainda é o jogo aéreo do adversário. A precisão de Arce nos cruzamentos preocupa mais que as cabeçadas dos zagueiros e atacantes. Neutralizar o lateral é prioridade. "Eu analisei o jogo do Palmeiras contra o Vasco no Rio: em 21 cruzamentos, o Arce acertou o alvo em 16.
A estratégia do Corinthians é reverter a vantagem do Palmeiras de poder jogar por dois empates já na primeira partida, quando o inimigo deve entrar em campo com um time misto. Sobre o Corinthians, invicto há sete jogos, Oswaldo entende que a equipe mostrou estar preparada para ser campeã. "Estou sentindo aqui o mesmo clima que reinou nas finais do Brasileiro do ano passado
disse Oswaldo.
Gamarra - A diretoria está garantindo a presença do zagueiro Gamarra nas finais do Paulista. A Federação Paraguaia estava exigindo a apresentação do jogador para a disputa da Copa América desde segunda-feira, mas o Corinthians já adiantou que só vai liberá-lo após o dia 20. Só depois da competição sul-americana é que Gamarra, que deve receber uma proposta oficial da Roma nos próximos dias, vai definir seu futuro. "Juro que ainda não sei de nada sobre a minha saída, afirmou ele, que tem contrato com o Corinthians até o fim do ano.

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