Osvaldo tenta abafar indisciplina
Das agências
Na batalha diária pela sua permanência no comando do Corinthians, Oswaldo de Oliveira tem encontrado mais dificuldades em provar que é um técnico disciplinador do que um bom estrategista. Nem o empate de anteontem com o São Paulo (1 a 1), que colocou o alvinegro na final do Campeonato Paulista contra o Palmeiras, livrou o treinador de problemas. Desde que reassumiu o time, há 40 dias, ele tem convivido com casos isolados de indisciplina, fato comum num elenco formado por jogadores de difícil convívio, como ficou provado em 1998.
Primeiro, foi o goleiro Nei, que revoltou-se ao ser substituído por Maurício. Depois, o atacante Dinei, que rebelou-se com a reserva.
Agora, é a vez de Marcelinho Carioca colocar a autoridade de Oswaldo em jogo. Os dois discutiram asperamente no fim do jogo com o São Paulo. Oswaldo optou por substituir o jogador, que saiu irritado, gesticulando e sem dar declarações. Depois, no vestiário, os dois apareceram abraçados para explicar o conflito.
Diferentemente de Wanderley Luxemburgo, Oswaldo procura administrar os problemas internos com conversa, sem fazer alarde, e procurando abreviá-los ao máximo. Procuro manter as minhas mãos no bolso, sempre que possível: discrição e cautela nunca são demais, afirmou ele, que garante saber o momento de ser enérgico. Minha conduta é ponderada, mas tudo tem limite. Com Marcelinho, Oswaldo garante que já está tudo superado. Foi apenas uma discussão de jogo; aqui, no Corinthians, as coisas assumem dimensões exageradas, disse. O Marcelinho é um cara mercurial; naquele momento do jogo, o mercúrio dele subiu, mas agora tudo voltou ao normal e ele vai me obedecer.
Marcelinho também quis encerrar o caso. O problema é que um espirro meu no Corinthians vira uma gripe, uma pneumonia; mas eu e o Oswaldo somos amigos particulares e eu sempre lutei pela permanência dele aqui.
Pensando na decisão, Oswaldo diz que pretende aproveitar a sede de revanche de alguns jogadores em relação ao Palmeiras para motivar ainda mais o grupo, mas não quer que os jogadores entrem em campo pensando numa vingança, para que ninguém seja expulso. É um jogo pesado no aspecto psicológico e nós temos de ter controle. Talvez por isso, os jogadores ontem já não falavam tão enfaticamente em dar o troco da eliminação na Taça Libertadores no adversário. A estratégia do Corinthians é reverter a vantagem do Palmeiras de poder jogar por dois empates já na primeira partida, quando o inimigo deve entrar em campo com um time misto. Sobre o Corinthians, invicto há sete jogos, Oswaldo entende que a equipe mostrou estar preparada para ser campeã. Estou sentindo aqui o mesmo clima que reinou nas finais do Brasileiro do ano passado, disse Oswaldo.
Além de tentar evitar com que a crise com Marcelinho tenha reflexo junto aos demais jogadores do Corinthians, Oswaldo de Oliveira disse ter uma outra missão que vai envolver a psicóloga Suzy Fleury: preparar os atletas contra possíveis expulsões.
No segundo jogo das quartas-de-final da Libertadores, Edílson acabou expulso por desentendimento com o lateral palmeirense Júnior. O Edílson já aprendeu que não pode esquentar a cabeça para não prejudicar o time. E esse jogo das finais vai ser pesado no aspecto psicológico. Temos que fazer todo o grupo entender isso, disse o técnico.





