OSCAR, O MITO 'Não guardo rancor de ninguém'
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terça-feira, 11 de março de 2003
Guilherme Gouveia<br> Reportagem Local 
Oscar Daniel Bezerra Schimidt, 45 anos, natural de Natal, Rio Grande do Norte, é um homem polêmico. Seu temperamento passional o faz agir geralmente de modo impulsivo. Desafeto da torcida londrinense, carrega em seu currículo uma coleção de brigas e confusões. Recentemente, discutiu em quadra com o ala Alexey e tentou acertá-lo arremessando uma garrafa de água. ''Foi profundamente lamentável'' resignou-se. Em entrevista exclusiva à Folha, o ala diz que não guarda rancores da cidade, mas comenta as razões que originaram essa tensa rivalidade. ''Desde 99 não conversava com um jornalista de Londrina'', confessou.
Folha - Quando realmente surgiu essa rivalidade? Foi naquela série de playoffs contra o Mackenzie, em 1999?
Oscar - Foi naquela época sim e graças ao treinador (Ênio Vecchi), que deu declarações mentirosas a meu respeito. Ele chegou a dizer que seríamos recebidos a tiros em Londrina e que eu tinha mostrado o saco para familiares dele. Na época, a TV Mackenzie gravava os jogos e eu já tinha decidido entrar com um processo por calúnia e difamação, tinha conversado até com meu advogado. Mas pensei bem e voltei atrás. Fui orientando a esquecer a história por uma pessoa que eu respeito muito, o José Claudio dos Reis, que foi vice-presidente da CBB. Ele foi um dos maiores dirigentes que esse País já teve.
Folha - Nunca ninguém tomou iniciativa de dar uma basta nisso?
Oscar - Nunca me preocupei com nada disso. Para mim tudo é passado, já passou e não guardo rancor de ninguém. Mas infelizmente tivemos que conviver com brigas, apedrejamento de ônibus, levar cadeirada, todo ano é um episódio diferente. Sei que esse comportamento vem de apenas algumas pessoas. A diretoria (comissão técnica) deveria tomar mais cuidado com o que diz. Não sei se é inexperiência ou irresponsabilidade, mas essas declarações envolvem milhares de torcedores.
Folha - Você acredita que amanhã (hoje) será sua reconciliação com a torcida?
Oscar - Eu não acho nada. Vou simplesmente jogar meu basquete. Sei que é uma pequena parte da torcida que é pilhada (termo carioca que significa botar pilha) a agir no calor das declarações de dirigentes. Meu, a massa é um perigo, já chegamos até a correr risco de vida. Mas tudo isso é lamentável, Londrina tem potencial para ter um time bem competitivo, estar disputando o título há alguns anos e não ficar apenas lutando para chegar aos playoffs.
Folha - Você concorda que essas confusões são uma mácula em sua longa e vitoriosa carreira?
Oscar - As pessoas erram. Eu reconheço que foi lamentável o desentendimento com o Alexey, mas o importante é reconhecer o próprio erro. Isso foi a primeira vez que aconteceu comigo. A vida é um eterno aprendizado, quando penso que vivi de tudo, caio novamente. Sou uma pessoa passional, e minha virtude é minha fraqueza.
Folha - Você acha que a geração atual é privilegiada em disputar um campeonato tão competitivo, oportunidade que a maioria de sua geração não teve?
Oscar - Desde que voltei da Europa, em 95, o campeonato mostra um extremo equilíbrio, bem organizado. Na minha época, não havia um número tão grande de jogadores. Acho que estamos evoluindo no caminho certo.
Folha - Qual sua avaliação da organização do basquete nacional hoje?
Oscar - A organização sempre terá falhas. O importante é identificar onde estão os erros e corrigí-los. O basquete nacional evoluiu muito nos últimos anos.
Folha - E o futuro? Político, treinador, dirigente, o quem vem por aí?
Oscar - Provavelmente será o último campeonato, mas já prometi que não anuncio mais minha aposentadoria. Sei que pretensões políticas estão descartadas. Quando perdi (eleição para senador em São Paulo), fiquei chateado, mas percebi algum tempo depois que foi bom para minha vida. Tenho alguns sonhos na cabeça, penso em ter um ginásio e montar uma escolinha. Quero também ficar mais perto do meu filho (treina nos EUA), ajudá-lo a evoluir no basquete, sofro muito com a ausência dele.


