Oscar Godói é o único a depor no Rio
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quinta-feira, 15 de maio de 1997
Agência Folha 
O juiz paulista Oscar Roberto Godói disse ontem que estava tendo sua carreira prejudicada pelo então presidente da Comissão Nacional de Arbitragem de Futebol, Ivens Mendes. Godói afirmou que, apesar de ser juiz do quadro da Fifa desde o início de 93 e de ter sido escolhido o melhor juiz paulista por quatro anos consecutivos, só foi escalado em oito jogos do Campeonato Brasileiro do ano passado. Em 96, minha carreira internacional se resumiu a um jogo da Libertadores, entre Botafogo e Grêmio. Segundo ele, não foi chamado para apitar nenhuma partida entre seleções.
Godói, sem a presença de advogado, depôs por duas horas e 40 minutos ontem no auditório do Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Ele foi ao Rio sozinho, usando terno com o distintivo da Fifa, e planejava voltar a São José do Rio Preto (451 km a noroeste de São Paulo) na noite de ontem. O presidente do inquérito, o auditor do STJD, Carlos Antonio Navega, não quis dar detalhes do depoimento, indicando que isso poderia prejudicar as investigações.
Mas Godói foi espontaneamente à sala de imprensa da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e deu uma entrevista coletiva. Confirmando o que ele havia dito na semana passada, o juiz afirmou que tinha pouco contato com Mendes. Só o via nas avaliações e nos seminários de arbitragem. Nunca conversei a sós com ele. Não gostava dele e nem ele de mim.
Ele acrescentou que não pode ser suspeito pela expulsão de Edmundo no jogo Atlético-PR x Vasco pelo Brasileiro do ano passado, porque esta não foi iniciativa sua. Eu não vi a agressão dele sobre o Andrei. Só o expulsei porque meu auxiliar me avisou disso. Há oito dias, o auxiliar Marinaldo Silvério confirmou a versão de Godói. Fui eu que o avisei. E o Edmundo agrediu mesmo, disse na oportunidade.
Sobre o fato de seu nome ter sido citado na fita, apresentada pelo Jornal Nacional, na semana passada, Godói disse: O Ivens falou o meu nome porque eu estava escalado para aquele jogo. Se o juiz fosse o papa João Paulo 2º, ele teria dito o nome dele.
O presidente do Corinthians, Alberto Dualib, não compareceu ontem para depor como estava previsto. Seu advogado, Marcio Thomas Bastos, enviou pedido para que o depoimento fosse feito por carta precatória. Carlos Navega, presidente do inquérito, negou. Não o chamo mais. Quando quiser vir, estou esperando.
O presidente do Atlético/PR, Mário Celso Petraglia, também não apareceu para depor ontem no STJD. Seu advogado, Valed Perry, disse que Petraglia não foi avisado a tempo e que tinha viagem marcada para a Argentina. Ele pode ser chamado para depor na próxima quarta-feira.


