São Paulo - Não há brasileiro com mais de 30 anos que não lembre daquele 5 de julho com nostalgia. A cada recordação, o coração aperta e a garganta amarra mais. Um personagem, em especial, traduz isso à perfeição. Oscar Bernardi, zagueiro do time comandado por Telê Santana que encantava o mundo em 1982, na Copa da Espanha, viveu a agonia do quase.
A Itália vencia o Brasil por 3 a 2, com os fatídicos gols de Paolo Rossi, resultado que colocava ponto final no sonho verde-amarelo. Bastava o empate para a Seleção Brasileira se classificar. Aos 43 minutos e 30 segundos do segundo tempo, a história esteve perto, muito perto, de ser transformada naquilo que todo mundo esperava.
''Era o lance final, nossa última chance de empatar o jogo e de se classificar'', conta Oscar. ''Combinei com o Cerezo de que ele daria um tranco no zagueiro adversário porque eu queria subir sozinho, sem marcação, para cabecear'', relata. ''Mas a cobrança do Eder foi tão perfeita que nem precisou, a bola veio certinha na minha cabeça... Teria sido o gol da minha vida'', diz Oscar.
Mas Dino Zoff, um dos maiores goleiros italianos em todos os tempos, fez uma intervenção espetacular. ''Algum tempo depois, li uma declaração do Zoff a um jornal italiano em que ele dizia ter sido a defesa mais importante e difícil de sua carreira.''
A Seleção Brasileira encantava o mundo na Copa da Espanha. Ninguém poderia imaginar o time de Telê fora da competição. Aquele 5 de julho ficaria conhecido como ''a tragédia do Sarriá'', nome do estádio em Barcelona onde foi disputado o jogo e, anos depois, seria derrubado. ''Em 82 já contávamos com a vitória e acabamos perdendo'', entrega Oscar. ''Para se ter uma ideia do clima, o Falcão, que jogava na Itália, disse que eles (os italianos) já estavam de malas prontas.'' (A.E.)

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