Lisboa - O brasileiro Luiz Felipe Scolari viverá, com toda certeza, na Copa da Alemanha, as últimas horas de seu reinado à frente da seleção de Portugal, após quase quatro anos de alegrias e tristezas. ''Se não se sair bem na Copa do Mundo, Scolari partirá, mas se conseguir bons resultados, será impossível mantê-lo, mesmo que queiramos'', afirmou Gilberto Madail, presidente da Federação Portuguesa de Futebol.
O nome de Scolari, 57 anos, apareceu como sucessor do sueco Sven-Goran Eriksson no comando técnico da seleção inglesa, após o Mundial alemão. Mas o brasileiro declinou a oferta. ''Pensarei em meu futuro depois de 31 de julho. Não sei o que farei depois da Alemanha'', afirmou Felipão, que já confessou o desejo de voltar a assumir um time.
Para onde vá, Scolari, cuja principal façanha foi ter conduzido Portugal à final da Eurocopa-2004, deixará uma seleção rejuvenescida em relação à que recebeu em janeiro de 2003, seis meses depois de ter conquistado o pentacampeonato mundial com o Brasil em 2002.
Não duvidou em tomar decisões controvertidas, como deixar no banco jogadores importantes da ''geração dourada'', vencedora de mundiais juvenis dos anos 90, para convocar jogadores menos experientes, como o atacante do Manchester United, Cristiano Ronaldo.
Sua negativa em não convocar Victor Baia, o goleiro do Porto, clube 21 vezes campeão português, provocou uma forte polêmica nos meios esportivos portugueses. ''Tomo minhas decisões e não me preocupo com o que as pessoas pensam'', declarou após anunciar a composição lusa para Eurocopa-2004, disputada sem estrelas, como o artilheiro João Pinto e Victor Baia, que defendia o arco português desde 1990.
Uma firmeza publicamente contestada pelos jogadores de Scolari, como o fez Figo, que criticou sua decisão de integrar ao selecionado o meia de origem brasileira Deco, logo depois de sua naturalização em março de 2003. Figo, em sua crítica, disse que os ''hinos nacionais podem ser aprendidos, mas não sentidos''.
Depois da frustração da derrota para a Grécia, na final da Eurocopa-2004, o melhor resultado de Portugal em um grande torneio, Scolari e os seus jogadores se classificaram confortavelmente para o Mundial-2006. Uma classificação sem derrotas.
No entanto, o mais difícil ainda está para ser feito: o Mundial. Portugal está em um grupo acessível, no qual seu principal rival será o México, já que deve impor-se sem muitas dificuldades ao Irã e Angola.

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