Os segredos do J.Malucelli
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015
Rafael Souza<br>Reportagem Local 
Nem Londrina, nem Coritiba, muito menos Atlético. Com praticamente metade da primeira fase do Campeonato Paranaense já disputada, uma surpresa deixou os três últimos campeões para trás e ocupa, com propriedade, a liderança do torneio. É o J.Malucelli, time conhecido como "Caçula da Capital", o dono do melhor futebol do Estado neste momento. Com 13 pontos e notáveis 86,7% de aproveitamento, a equipe mostra sua força e infiltra seu nome entre os favoritos às primeiras posições em 2015.
Em cinco jogos, o Jotinha venceu Rio Branco e Foz do Iguaçu em casa, Prudentópolis e Paraná fora, e empatou com o FC Cascavel, também em Curitiba. Com nove gols marcados, tem o segundo melhor ataque da competição junto com o Coritiba, apenas um atrás do Operário. A defesa também é a segunda melhor do torneio, com apenas um gol sofrido. Perde apenas para o FC Cascavel, que ainda não tomou gols.
Ao olhar a tabela de classificação do Paranaense, muitos torcedores de outros clubes se perguntam qual o grande segredo do Jotinha para deixar times com maior orçamento, como o trio da capital e o Londrina, para trás. Para o lateral esquerdo Fabinho, a receita é simples e sem mistério algum. "Está todo mundo na mesma sintonia, tanto quem joga como quem está de fora. O grupo está unido em torno do mesmo objetivo, que é buscar um lugar entre os oito e depois na Série D. Está todo mundo se doando ao máximo", apontou o jogador.
Outro ponto forte, segundo o atual dono da lateral esquerda do Jotinha, é a experiência do elenco, bastante rodado quando o assunto é Campeonato Paranaense. O próprio Fabinho é um bom exemplo. Aos 31 anos, o jogador veste a camisa de seu quinto clube no Estado. Antes do J.Malucelli, ele passou por Paraná Clube, Coritiba, Cianorte e FC Cascavel, onde foi campeão da Divisão de Acesso em 2014. "Este é meu sexto Paranaense e sabemos que é um campeonato que não tem jogo fácil", reforça o lateral.
Assim como Fabinho, o elenco ainda tem outras peças com rodagem no futebol paranaense. O meia Netinho, formado no Atlético, clube onde ficou até 2010, e estava no Vila Nova (GO) é o cérebro da equipe. Com uma carreira marcada por lesões, o meio-campista de 30 anos vê no Jotinha a chance de recomeçar. Foi dele o gol da vitória simples diante do Foz do Iguaçu, no último final de semana.
O também meia Tomas, destaque do Boa Esporte (MG), na Série B do Campeonato Brasileiro de 2014, retornou ao clube, assim como o atacante Bruno Batata, atacante que passou pelo Londrina na Série D do ano passado e já teve chances no Coritiba. A lista de atletas que já conhecem o clube ainda tem o zagueiro Alex Fraga, também cria da base atleticana, o goleiro Fabrício, o volante Wellington e o atacante Gétterson, revelado no Coritiba e com passagem no extinto Cincão Esporte Clube, de Londrina. "São jogadores experientes e que já conhecem o clube o campeonato. Isso facilita na adaptação", analisa Fabinho.
O comando está a cargo do experiente Ary Marques, de 59 anos, responsável por formar jogadores como Thiago Neves, Ricardinho e Lúcio Flávio na base do Paraná. Antes do Jotinha, foi técnico da seleção do Líbano em 2005 e ficou quatro anos em Cuiabá. Como jogador, o "Coração da Vila" entrou para a história do extinto Colorado, com mais de 500 jogos em 14 anos. O Jotinha volta a campo no próximo domingo para enfrentar o Operário, novamente em casa.


