Os novos rumos do taekwondo
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de junho de 2009
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
A Copa do Mundo de Taekwondo, disputada na semana passada, no Azerbaijão, foi um marco de mudanças na modalidade em nível mundial. Mudaram o estilo das lutas, a forma de pontuação (que agora é eletrônica), algumas regras e surgiram surpresas nas semifinais, com a presença de países que antes não figuravam em fases decisivas de competições internacionais. Alguns que surpreenderam foram a Turquia (campeã no masculino e semifinalistas no feminino), o Irã, o Marrocos e o Azerbaijão.
Nesta entrevista à FOLHA, a lutadora de maior destaque no Brasil, Natália Falavigna, 24 anos, de Londrina, fala das novidades que observou na Copa do Mundo e dos desafios que aguardam a seleção brasileira no Mundial de Copenhagen, na Dinamarca, que será em outubro.
FOLHA - Essa foi a primeira competição oficial da WTF (Federação Internacional de Taekwondo) em que foram utilizados coletes eletrônicos. O que você achou da mudança?
Natália - Foi a primeira vez que lutei com o 'LaJust', que deverá ser o colete oficial da WTF. O grande problema é que existem três grande fornecedores desse produto - Adidas, LaJust e Daedo - que brigam para ter o reconhecimento da WTF. E o colete de cada uma delas tem locais diferentes onde ficam os sensores que acusam os pontos.
FOLHA - Onde ficam esses sensores?
Natália - Três ficam no colete: um na frente (no peito) e os outros dois dos lados. Um quarto fica no peito do pé e o último no calcanhar, para acusar os chutes giratórios. A pontuação de socos e de chutes no rosto continua sendo feita pelos árbitros.
FOLHA - Para os brasileiros isso é bom ou ruim?
Natália - O que nos prejudica esse ano para a disputa do Mundial é que alguns países como México, Espanha, Grécia e a própria Turquia, já têm treinado com esse colete eletrônico, e no Brasil ele ainda nem chegou. Precisaremos tê-lo nas nossas academias para aprendermos, com ele, como tem que entrar o golpe e a intesidade do chute para se contar o ponto.
FOLHA - Mudou a forma de se lutar?
Natália - Mudou o estilo. A forma se defender, por exemplo, é outra. Antes se defendia com o braço longe do corpo para mostrarmos para o árbitro que o chute não havia entrado. Hoje pode-se deixar o braço grudado ao corpo protegendo o sensor que mesmo que o adversário dê um chute forte no braço o sensor não acusará o ponto. Com isso, os atletas passaram a fechar a guarda.
FOLHA - Isso tornará a luta mais burocrática?
Natália - Não, porque o taekwondo passa por ciclos e acho que está voltando à sua forma antiga, de maior volume de golpes e movimentação. Isso o colete não atrapalhará. Porque o último ciclo do taekwondo, que foi o que vivi nas duas Olimpíadas (2004/2008), teve um estilo de luta que priorizava a eficiência e os golpes certeiros para que fossem computados os pontos. E os atletas buscavam não se expor. Agora houve mudança nas regras e as lutas ficaram muito mais dinâmicas e abertas. Um chute no rosto, por exemplo, valia 2 pontos e agora vale 3. Já os giratórios valem 2 pontos. Isso privilegia os golpes bonitos e deixa os lutadores mais soltos.
FOLHA - Como vocês da seleção treinarão para o Mundial de outubro?
Natália - Ainda não temos os coletes no Brasil e isso é um problema, pois não adianta continuar treinando do jeito antigo, sem os coletes. A Confederação (Brasileira de Taekwondo) fará a importação, mas como é um produto muito recente, as empresas ainda estão fabricando e demorará um pouco a chegar. Vou comprar no mínimo um par de coletes para a minha equipe e é um artigo caro. O conjunto, com dez coletes (para cinco categorias) custa em torno de US$ 20 mil.
FOLHA - Esse próximo Mundial será diferente em razão das mudanças?
Natália - Eu, por exemplo, vou lutar numa categoria diferente (acima de 73 kg). Peguei esse ano para arriscar, mudar sistemas de luta, pensando em resultados a longo prazo, a Olimpíada de 2012. Acho que neste Mundial haverá surpresas, porque os países apostaram em renovação das suas equipes, o que o Brasil não fez. Entre os que estrearão novos atletas, estão México, Turquia, Marrocos, Coreia do Sul, China, Austrália e Suécia. Apostaram em gente com pouca idade para buscarem medalhas no fim desse ciclo olímpico.


