Os jogadores que a torcida jamais esquece
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de setembro de 2002
Agência Estado 
São Paulo - Alguns jogadores deveriam ser lembrados diariamente pela torcida. Mas não são. Defenderam durante anos as cores de um clube, cansaram-se de ganhar títulos e, mesmo assim, minutos depois de terem ido embora, foram esquecidos. Outros, beijaram a camisa do time, choraram e se declararam mais que atletas, torcedores. Tudo em vão. Mas também existem aqueles que, sem fazer média com os torcedores, passaram a ser adorados. Inexplicável? Nem tanto. Com a palavra, quem sabe tudo sobre o assunto: ''A torcida tem uma personalidade própria. Se o jogador entender isso e conseguir, além dessa empatia, conquistar títulos pelo clube, ela vai ser eternamente grata a ele'', explica categoricamente o ex-jogador Ademir da Guia, um dos maiores ídolos da história do Palmeiras.
Ademir da Guia defendeu o Palmeiras por 16 anos e diz que na sua época (décadas de 60 e 70) os jogadores permaneciam mais tempo nos clubes. Portanto, era mais fácil ganhar a simpatia da torcida. Hoje em dia, para isso acontecer, segundo ele, o atleta tem de se parecer com os torcedores, pensar igual a eles. ''É o caso do Marcelinho Carioca'', lembra. ''Assim que o Marcelinho chegou no Corinthians, caiu nas graças dos torcedores. Depois dos títulos, essa identificação ficou ainda maior.''
O diretor-social da Gaviões da Fiel, Wildner Rocha, confirma a opinião de Ademir, mas ressalta para se trair logo em seguida que a maior torcida organizada do Corinthians só costuma reverenciar os jogadores quando eles ainda estão no Parque São Jorge. ''Se o Marcelinho jogar em outro clube, não faremos nenhuma homenagem a ele'', garante. No caso do goleiro Ronaldo, por exemplo, a história foi diferente. ''No começo do ano, no Rio-São Paulo, quando o Corinthians enfrentou a Ponte Preta no Morumbi (Ronaldo estava no gol adversário), nós (Gaviões) o aplaudimos, gritamos o nome dele e cantamos: 'Doutor, eu não me engano, o Ronaldo é corintiano'.''
Usando uma gíria do futebol, o ex-atacante Casagrande explica que a camisa do Corinthians ''caiu bem'' desde a primeira vez que a vestiu, daí um dos motivos da identificação com o clube. ''A torcida percebe isso.''
Levando em consideração a tese do ex-jogador, o mesmo teria acontecido, só para citar alguns exemplos, com Beto e Petkovic, no Flamengo; Washington e Assis, no Fluminense; Jardel, no Grêmio; Edmundo, no Vasco; Zinho, no Palmeiras; e Zetti, no São Paulo.
Ficou tão marcada a passagem do goleiro Zetti pelo São Paulo, no início da década de 90, que até hoje, mesmo já tendo encerrado a carreira, é identificado pelas pessoas na rua como ''o goleiro do São Paulo''. ''É engraçado, porque a torcida não esquece de mim, mesmo já tendo passado tanto tempo'', comenta.


