A prisão do jogador Daniel Alves revela, mais uma vez, a dificuldade de mudanças de comportamentos de jogadores de futebol. A cultura de “viver a vida” normalmente continua, sem entender que não pode ser assim.

Imagem ilustrativa da imagem Os ídolos frágeis
| Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Quando se escolhe uma profissão é preciso fazer concessões para o sucesso da carreira. Sempre haverá obrigações que vão limitar as atividades de uma pessoa comum ou aumentar o risco de exposições que sempre vão levar a julgamentos pessoais.

Dani Alves, há dois meses, era a referência de liderança de um grupo que disputava a maior competição do planeta. Logo, ser líder num evento assim, deveria ser entendido que não há possibilidade de erros pessoais, nunca. E para não haver erros, não se pode correr riscos.

Toda denúncia merece, antes, espaço para a defesa. Toda defesa deve ser ouvida com atenção, mas quando se falta com a verdade a justificativa já perdeu força. Ídolos (ou somente líderes) tentam sempre se proteger de que têm direito a fazer o que todos fazem: se divertir. E não é assim. Pessoas públicas têm suas vidas privadas julgadas pelo mesmo público que o tornou público por explorar seu talento particular.

A acusação a Dani Alves tem outro aspecto: a desconstrução de uma carreira. E não é julgar culpado ou inocente. É se desapontar com a pessoa, que tem direito a erros, mas que você dedicou reverência, que você aplaudiu, que você confiou e colocou num lugar de destaque.

Não temos direito algum a julgamentos, mas quando um comportamento mostra algo que te surpreende negativamente, sentimos que também cometemos um crime com a nossa escolha por onde termos depositado nossa confiança.

Ainda precisamos aprender a não conectar a vida privada com a imagem pública de sucesso construída para ser especial e mágica.

Julio Oliveira é jornalista e locutor esportivo da TV Globo - A opinião do colunista não reflete, necessariamente, a da Folha de Londrina

mockup