Os desafios de jogar a 3.650 metros de altitude
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sábado, 10 de outubro de 2009
Thiago Mossini<BR> Reportagem Local 
Toda Eliminatória de Copa do Mundo, toda Taça Libertadores da América ou mesmo a Copa Sul-Americana é a mesma coisa. Basta um time brasileiro ou a própria seleção nacional ir jogar em um dos países que estão em pontos bem mais altos do que o nível do mar para para começarem as reclamações contra a altitude.
Hoje, o Brasil enfrenta a Bolívia, em La Paz, a 3.650 metros de altitude. Lá, a Argentina apanhou de 6 a 1 para os anfitriões e usou como desculpa os efeitos do ar rarefeito. Em março, o Brasil sofreu para segurar um empate com o Equador, em Quito, a 2.750 de altura. Nunca tinha sentido nada parecido. Você quer buscar o ar, mas a sensação é de que os pulmões não enchem. Isso interfere, para quem não está acostumado, na capacidade física e até mesmo no raciocínio, afirmou o volante Felipe Melo, da Juventus e da seleção brasileira. Hoje, ele escapou de sofrer novamente, já que foi expulso contra o Chile e cumprirá suspensão.
Mas será que a altitude faz tanta diferença? Quando há a exposição aguda à altitude, o corpo tem reações adversas pela falta de aclimatação. O atleta fica com uma capacidade menor de fazer exercícios e isso está relacionado à menor captação de oxigênio. Ele começa então a respirar mais rápido, o que causa o cansaço. Não tem jeito: todo jogador que treina no nível do mar vai sofrer uma reação, afirmou o fisiologista Fábio Nakamura, professor do departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na altitude, o ar é rarefeito e isso faz com que a captação de oxigênio seja mais difícil. A partir de 1,5 mil metros acima do nível do mar, os efeitos do chamado mal da altitude, já começam a ser sentidos. O atleta pode não sentir efeitos clínicos, mas já tem uma sensível queda no rendimento aeróbio. A dificuldade para respirar já é notada e o oxigênio fornecido ao músculo é reduzido.
Subindo um pouco mais, a 2,4 mil metros, além das sensações de queda de rendimento físico, aparecem os problemas físicos, como fadiga, dor de cabeça, perda de apetite e enjoo.
A altitutde diminui a quantidade de glóbulos vermelhos no sangue e são eles que fazem o transporte do oxigênio aos músculos e ao coração, que é o órgão que mais trabalha com oxigênio. O ritmo vai diminuindo e o cansaço vem mais rápido. Pode até acontecer desmaios, explicou o cardiologista Luís Carlos Miguita.
De acordo com Nakamura, as equipes que têm jogos em cidades com altitudes têm duas opções para amenizar os problemas e efeitos, já que não podem usar a ajuda da folha de coca, a erva que diminui os efeitos do soroche, o mal da altitude. A primeira é fazer um período de aclimatação de pelo menos duas semanas, o que é praticamente impossível por conta do calendário. O segundo e mais usado pelas equipes brasileiras é chegar à cidade do jogo momentos antes da partida. O time chega e já joga, para sentir menos os efeitos, afirmou o fisiologista.


