Os altos e baixos do Tricolor paranaense
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quarta-feira, 10 de agosto de 2005
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná Clube tem um dos artilheiros (Borges, com 11 gols) e está entre os primeiros do Brasileirão deste ano, mas no Estadual sequer se classificou para a segunda fase. Em 2004, passou 17 rodadas na zona de rebaixamento do Nacional e acabou a competição em 14º lugar. O time, pentacampeão paranaense de 93 a 97, disputou o Torneio da Morte no ano passado, poucos meses depois de conquistar a 10 posição no Brasileiro e uma vaga na Copa Sul-Americana. Afinal de contas, qual é a razão de tamanha irregularidade nas últimas temporadas?
A grande unanimidade é a falta de continuidade do trabalho entre as temporadas, seja da comissão técnica ou do elenco, que acaba sofrendo desmanche a cada final de Brasileirão. O discurso de Saulo, ex-jogador e ídolo paranista na década de 90, exemplifica o que acontece de um ano para outro.
''O Paraná Clube não tem jogadores que pertecem ao clube hoje em dia, pertencem a empresários. Muitas vezes, a diretoria espera acabar o Campeonato Paulista para contratar. Para ter uma idéia, quando lutei contra o rebaixamento no Paranaense (como técnico, no Torneio de Morte do ano passado), eu tinha 20 ou 30 jogadores do time júnior'', desabafa o ex-atacante.
O zagueiro Fernando Lombardi, presente nas últimas campanhas do clube no grupo principal, também reconhece o problema. ''Desde 2003, o grupo é formado às pressas. No final de cada ano a equipe é desmontada, ocorrem mudanças e às vezes acontece divergências na diretoria, o que também acaba influenciando na parte do futebol.''
Para o presidente José Carlos de Miranda e o vice-presidente José Domingos, a grande dificuldade para evitar o que Saulo e Lombardi identificam como razão para instabilidade é a falta de verba. ''Estamos no grupo dos 'oito pobres' da verba da tevê. Juventude, Figueirense, Paraná Clube, São Caetano, Ponte Preta, Brasiliense, Fortaleza e Paysandu recebem menos de R$ 4 milhões do Clube dos Treze. Além disso, temos inúmeras dívidas trabalhistas'', explica Miranda.


