Os 35 anos do número 1000
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sexta-feira, 19 de novembro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - Pelé sentiu medo, por volta das 23 horas, de 19 de novembro de 1969, antes de bater o pênalti consagrador no goleiro Andrada, do Vasco, no Maracanã. Em 90 pênaltis que havia batido, até aquela noite, apenas em sete não marcou o gol. Aquele era especial, histórico. Pelé chutou e não errou, aos 34 minutos do segundo tempo. Era o milésimo gol, que hoje completa seu 35º aniversário.
O Santos venceu o Vasco por 2 a 1 gols de Pelé e Renê (contra) para o Santos, e Beneti, para o Vasco, pelo Torneio Rio-São Paulo. E o Rei fez história.
Hoje, o Dia Pelé, na cidade de Santos, ele não receberá nenhuma homenagem. Está na sede da Fifa, em Zurique, participando de reunião ordinária da comissão de jogadores ao lado de Franz Beckenbauer.
Na véspera, também ao lado de Beckenbauer, Pelé assistiu à inauguração de uma das sedes da Copa do Mundo, em Leipzig, Alemanha. Esta cidade será também sede da Copa das Confederações e do sorteio dos grupos do Mundial de 2006, em dezembro de 2005.
Pelé continua com o mesmo prestígio que tinha há 35 anos. A forma física continua boa aos 64 anos. Este ano, enfrentou um descolamento de retina, fez cirurgia em São Paulo e recuperou-se. Mantém a rotina de exercícios. Não descuida da sa© úde. ''Isso é fundamental para quem não pára de viajar. Eu vivo dentro de aviões. Se não tivesse um bom condicionamento físico não seria fácil manter este ritmo'', disse, antes de embarcar para a Europa.
Na última quarta-feira, depois de receber em Brasília das mãos do presidente Lula a Ordem do Mérito Cultural, Pelé respondeu às perguntas do sobre os 35 anos do Milésimo Gol e qual jogador que ele gostaria de ver marcando mil gols.
Agência Estado - Qual a primeira lembrança que você tem quando pensa naquele momento histórico para a sua carreira e para o futebol brasileiro?
Pelé - A primeira coisa que vem a cabeça é que seu eu tivesse perdido o pênalti com toda aquela expectativa e o Maracanã lotado, como eu estaria agora?
AE - Na época, você ofereceu o gol às crianças pobres do Brasil. Se o gol fosse marcado hoje, ele continuaria sendo oferecido a elas?
Pelé - É lamentável que, depois de 35 anos, nós ainda tenhamos que continuar pedindo mais educação e proteção para as crianças. Se os governantes e a sociedade tivessem ouvido a minha mensagem, hoje não teríamos tanta violência no País. Continuaria oferecendo o gol a elas.
AE - Você voltou a falar com o Andrada e o zagueiro Renê, responsável pelo pênalti que deu origem ao milésimo gol?
Pelé - Encontrei com o Andrada algumas vezes mas nunca mais falei com o Renê.
AE - Qual o principal legado do Milésimo para as novas gerações?
Pelé - Que um garoto de origem pobre pode chegar onde o Pelé chegou. É um grande exemplo e estímulo.
AE - Sua carreira terminou há quase três décadas mas ninguém conseguiu superá-lo. Qual a explicação?
Pelé - Primeiro lugar a fé em Deus e segundo a base familiar que é o sustentáculo de tudo.
AE - Que jogador você gostaria que tivesse a mesma felicidade de poder comemorar mil gols?
Pelé - Gostaria muito que o Robinho desse essa alegria ao povo brasileiro e tivesse a mesma sorte que tive no futebol brasileiro.


