Orlando Conte: 50 anos de amor ao tênis
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sexta-feira, 09 de novembro de 2001
Guilherme Gouveia<bR>De Londrina 
Enquanto os oito melhores tenistas da temporada treinam forte para o Masters Cup de Sydney, em busca dos milhares de dólares em premiações, o aposentado Orlando Conte, 79 anos, dá aulas de amor pelo esporte. Quatro vezes por semana, o tenista joga na quadras de saibro do Canadá Country Club de Londrina. O tênis para ele é uma paixão e uma oportunidade de conquistar muitos amigos. Orlando é, acima de tudo, um amante nato do tênis amador.
Tudo começou na década de 50 nos tempos do colegial. Conte, com pouco mais de 30 anos, se encantou com o esporte depois de ver uma partida na recém construída quadra do Rolândia Country Club. Segundo ele, o pessoal daquela época nunca tinha ouvido falar do ''tal tênis''. A quadra, talvez, tenha sido uma das primeiras do norte do Estado. ''Quando vi os dois jogando, analisei bem a situação e pensei: por que não posso praticar também esse esporte? A partir daí foi paixão total pelo tênis'', lembra.
Emotivo, Orlando, muito respeitado por tenistas de todas as idades, fala sobre as amizade que já fez praticando o esporte. Para ele, o contato com as pessoas proporciona momentos inesquecíveis. ''A quadra é um lugar muito especial para fazer amigos. Alguns se vão, outros chegam, mas são momentos gratificantes''.
Para comemorar os quase 50 anos de dedicação ao esporte, o Canadá Club promove há cinco anos o Torneio Orlando Conte, que reúne tenistas de vários clubes londrinenses. ''Sempre joguei em todas as edições e a cada uma que participo é uma emoção a mais'', diz. Perguntado sobre sua saúde, ele é taxativo: ''Está tinindo''.
Adepto às quadras de saibro, ele gostaria que o esporte se tornasse cada vez mais popular. Ele não entende porque por muito tempo o tênis foi taxado de ''esporte de elite''. ''O tênis deveria ser mais popular, a raquete e os equipamentos deveriam ser mais baratos. Infelizmente ainda é tudo muito caro'', avalia.
Como quase todo brasileiro, Conte é fã incondicional de Gustavo Kuerten, o Guga. ''Acompanho sempre que posso suas partidas''. Em relação a tenistas mais antigos, ele lembra com prazer do polêmico americano John McEnroe e da dupla brasileira Thomas Koch e Edson Mandarino, que já representou o País na Copa Davis.
Nos dias 15 e 18 de novembro, o sênior tenista participa mais uma vez do Torneio de Duplas Centenárias (14 edição), que será realizado nas quadras da Associação Recreativa e Esportiva de Londrina (Arel). ''Em 99 chegamos à final'', lembra. Seu principal golpe é o revés de esquerda. ''No estilo do Guga'', brinca.


