O 'tapete' é verde como a grama dos mais refinados estádios europeus. As pelotas rolam quase sem atrito até encontrarem sua morada definitiva, ou melhor, a caçapa. Sim, o assunto é a sinuca. No início da semana em Londrina, foi realizado um torneio que é tradição e atrai, em cada edição, praticantes amadores da cidade - em sua maioria descendentes de japoneses - que usam o esporte mais como possibilidade de diversão do que uma forma de competição.
Organizador de torneios há sete anos, fabricante de tacos e proprietário da sinucaria Octopus, Oscar Chogi Inoue, comemorou que a sinuca sempre atrai gente nova. ''Abri o bar para unir o útil ao agradável. O preconceito ainda existe mas hoje em dia tem casais, pai e filho e famílias inteiras que jogam e participam dos torneios'', apontou. ''A sinuca deixou de ser uma coisa de boêmio ou malandro e virou lazer'', completou, lembrando que no seu bar é proibido fazer apostas.
E outra coisa que chama a atenção é o número de praticantes descendentes de japoneses. O empresário Sérgio Onishi era um deles. Classificado para a fase final do torneio, ele analisou: ''a raça orientou sempre buscou, além do trabalho, uma forma de extravasar, para compensar a timidez''.
O técnico de telecomunicações Anderson Moriyama, sempre que pode, também passa alguns momentos se distraindo com o esporte. ''Encaro como um hobby. Comecei a brincar com 12 anos, no bar do meu pai. Depois fui para o Japão e jogava com brasileiros. Quando voltei participei de alguns torneios e até fiz dupla com minha esposa, Adriana. Ficamos em terceiro lugar'', garantiu. Bem menos experiente mas elogiado pelos mais velhos, o estudante Marcelo Sakamoto, 20, admitiu que aprendeu a jogar há poucos meses, depois que começou a trabalhar na sinucaria do tio. ''Ainda estou aprendendo uns truques'' desconversou. Mas desta vez não deu zebra: o vencedor do torneio foi Roberto Ossamu, jogador tarimbado tido como um dos favoritos.

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