Marcos Freitas
De Curitiba
Os líderes das três maiores torcidas organizadas do Paraná Clube pedem ajuda e dizem que não têm como coibir a violência. Para os dirigentes da Os Fanáticos, do Atlético, Juliano Rodrigues; da Império Alviverde, do Coritiba, Luis Fernando Stelfeld; e da Fúria Independente, do Paraná Clube, Cláudio Diniz Marques, sem a ajuda da polícia e da imprensa, atos de vandalismo como os de domingo passado, no Estádio Couto Pereira, podem voltar a acontecer.
Eles apontam problemas como consumo e tráfico de drogas nas arquibancadas, marginais com as camisas das organizadas fazendo arruaças e se passando por membros, além da falta de segurança nos estádios. Eles também acusam a imprensa de ser omissa aos problemas.
Segundo Marques, um dos grandes problemas que gera a violência é o tráfico e o consumo de drogas nas arquibancadas dos estádios. ‘‘Todo mundo sabe e ninguém faz nada. Cheguei a ser chamado de padre porque não deixava acontecer perto ou nas dependências da torcida’’, disse.
Tanto Stelfeld como Rodrigues concordam com Marques sobre o problemas das drogas. ‘‘Se a polícia se infiltrasse nas torcidas poderia ajudar a diminuir vários delitos’’, comenta Stelfeld.
Para o tenente-coronel da Polícia Militar, Oscar Paluch, em todos os jogos existem policiais infiltrados nas torcidas. Segundo ele, o problema existe, mas fica difícil fazer uma revista completa devido ao grande número de torcedores.
Para a partida de amanhã entre Atlético e Corinthians, por exemplo, apenas 16 policiais estarão à paisana entre os torcedores na Arena da Baixada.
Por conta disso, a impunidade impera, o que agrava, segundo os dirigentes das torcidas, a violência. Para Stelfeld, a culpa por incidentes como os ocorridos no último Atletiba é a impunidade. ‘‘A função da polícia tem sido repressiva e não preventiva’’, disse.
Juliano Rodrigues e Claudio Diniz Marques engrossam o coro. ‘‘A polícia tem as fitas dos envolvidos. Por que não prendem?’’, indaga Juliano.
Todos os três dirigentes são contra a proibição da torcida assistir aos jogos no campo adversário. Segundo eles, isto tira o direito do cidadão acompanhar a um evento seja ele onde for. ‘‘O pior é que este tipo de atituide mancha a reputação dos torcedores por causa de uma meia-dúzia’’, avalia Stelfeld.
Sobre a violência que seguidamente acontece após os clássicos na capital, também há uma unanimidade entre os três: eles não conseguem conter o culto à violência e desordem que predomina entre os adolescentes, a maioria de seus associados. ‘‘Já expulsamos vários maus elementos de nossa torcida, mas eles voltam e não há como proibi-los de comprar as camisas ou frequentar os estádios ’’, disse Juliano.
Para os três, é necessário que se faça uma campanha nos órgãos de imprensa promovendo a paz nos estádios. ‘‘Não podemos deixar que esse 1% de vândalos acabe com um espetáculo onde vão milhares de pessoas de bem’’, diz Rodrigues.
Para Marques, se as emissoras de rádio, televisão e jornais quisessem, poderiam ajudar a acabar com este problema dedicando um espaço diário para a campanha de conscientização e paz nos estádios.
Como funcionam – Para ser sócio de uma torcida organizada é fácil. O preço da carteirinha varia de R$ 5,00 a R$ 10,00. Na Império não há mensalidade, mas a torcida Os Fanáticos e Fúria cobram R$ 5,00 de seus associados por mês. O sócio tem direito a desconto na compra de ingressos e produtos das torcidas, bem como nas viagens.
Na Fúria os menores de 18 anos só podem se associar com a autorização dos pais. As três torcidas juntas faturam mensalmente algo em torno de R$ 15 mil. O dinheiro vem da comercialização de souvenirs como camisas e chaveiros. A Império e a Fanáticos têm sede própria, enquanto a Fúria procura um terreno para construir uma sede.

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