São Paulo, 25 (AE) - Na longa guerra judicial que envolve torcidas organizadas e o Ministério Público (MP), as facções ganham tempo e algumas batalhas. Depois da extinção da palmeirense Mancha Verde e da são-paulina Independente, a Gaviões da Fiel, do Corinthians, próximo alvo, não terá as portas fechadas tão cedo, apesar do otimismo do MP. Segundo previsão do Tribunal de Justiça de São Paulo, responsável pela sentença, o julgamento não deve ser realizado em menos de seis meses. As torcidas já extintas resolveram amenizar o problema com a criação de uma entidade.
A idéia começou no fim de 1997, com a Mancha Verde, que fora fechada no ano anterior. A Mancha Alviverde, com novo registro e novo estatuto, apesar de várias semelhanças com a entidade anterior, passou a reunir os palmeirenses sem enfrentar qualquer tipo de problema com a Justiça. A Torcida Independente, também extinta em 1996, resolveu seguir o modelo da rival e fundou a Tricolor Independente, também com diversos pontos em comum em relação à anterior, até mesmo funcionando no mesmo prédio.
O MP, que seguiu os passos do novo grupo, entrou com outro pedido de extinção contra a Independente, mas uma recente decisão da juíza Cintia Adas, da 20.ª Vara Cível da capital, negou a solicitação, alegando que se tratam de entidades distintas. No caso da Mancha Alviverde, o MP também não teve êxito. "Juridicamente, foi uma interpretação razoável", disse o promotor público Fernando Capez, responsável pelas ações, sobre a sentença da 20.ª Vara Cível. "O mais importante é os torcedores saberem que o Ministério Público está de olho em suas atividades."
Segundo Capez, o MP vai continuar sempre monitorando o comportamento das facções organizadas e tomando medidas jurídicas se necessárias. Capez lembrou ainda que, mesmo de volta à ativa por meio de uma nova entidade, não é vantajoso para tais grupos correr o risco de extinção. "As torcidas são fechadas com milhares de sócios e voltam com um número bem menor
além de pouco dinheiro", explicou o promotor.
Nos estádios - Depois de muitos desentendimentos com a Polícia Militar, os torcedores conseguiram também um acerto com a PM. Desde o fim de julho, quando o Corinthians enfrentou o argentino Independiente, no Pacaembu, as torcidas tiveram permissão para entrar nos estádios com instrumentos musicais, bandeiras sem mastro e identificação de organizadas e sinalizadores de fumaça colorida. Camisas e gritos com menção às organizadas, por exemplo, continuam proibidos. De qualquer forma
foi uma vitória dos torcedores.
Segundo o comando do 2.º Batalhão de Choque da PM, o voto de confiança aos torcedores deveu-se ao fato de, nos quatro anos de proibição, não ter havido nenhum incidente grave dentro dos estádios. No dia 20 de agosto de 1995, uma briga entre palmeirenses e são-paulinos no Pacaembu acabou causando a morte de um torcedor de 16 anos. Capez vê com um certo ceticismo a recente liberação feita pela PM.

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