Organizada combate estigma com ato social
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Claudemir Scalone De Londrina 
Desde a última década, torcida organizada de clubes de futebol é sinônimo de violência dentro e fora dos estádios. No Brasil inteiro pipocam casos e mais casos de agressões, mortes e depredação de veículos e lojas, provocados por integrantes das organizadas. Selvageria irresponsável que afasta o torcedor comum dos estádios. A alegria e diversão de torcer pelo time do coração foram trocadas pelo medo. Em Londrina, a torcida Falange Azul adotou o engajamento social como bandeira para desvincular o estigma que cerca qualquer grupamento de torcedores. A ação comunitária vai da doação de sangue à arrecadação de roupas, alimentos e material de construção.
A preocupação social da Falange surgiu após o Ministério Público investir contra as organizadas. Desde que cogitaram acabar com as torcidas organizadas em outros estados e até aqui no Paraná, tivemos a preocupação de mostrar que a nossa torcida não é de vândalos e baderneiros, conta Fernando César Pereira, 23 anos, presidente da Falange Azul.
Criada há 9 anos, a Falange é hoje a principal organizada do Londrina Esporte Clube, reúne 586 associados e tem comandos espalhados por Cambé, Ibiporã, Arapongas, Primeiro de Maio e Maringá.
Além da proposta social, a Falange passa por outra transformação: vai virar uma escola de samba. A idéia não é original. Outras organizadas já desempenham o duplo papel de ir aos estádios e desfilar no Carnaval. A idéia foi sugerida por alguns dos nossos diretores de bateria que já fizeram parte da Escola de Samba União da Vila Santa Terezinha, explica Fernando Pereira.
Enquanto vence os trâmites legais para ingressar no samba, a Falange já vai arrecadando recursos para o seu primeiro enredo que contará a história do LEC. A torcida promoverá uma festa junina no dia 23 de junho em uma rua da Vila Santa Terezinha.
O primeiro ato social da Falange é a arrecadação de alimentos, roupas e material de construção para o Dia da Bondade, campanha que será desenvolvida pela TV Taroba no dia 14. Os donativos estão sendo recolhidos pela Falange e repassados à TV Taroba, que por sua vez os entregará às famílias carentes da cidade. Quem quiser ajudar pode ligar para os telefones 9995-2342 (Fernando) e 30-252645 (Antero), que os associados da Falange irão buscar as doações.
O lançamento do Grêmio Recreativo Torcida Organizada Escola de Samba Falange Azul vai acontecer em grande estilo no dia 14 de julho no Calçadão. A diretoria da Falange está detalhando uma parceria com o hemocentro do Hospital Universitário para incentivar as pessoas a doar sangue. O slogan da campanha é Não derrame sangue nos estádios e sim por um irmão, que faz parte da nossa proposta de não-violência nos estádios, explica Pereira.


