Johannesburgo - Os organizadores da Copa do Mundo já se preparam para um Mundial sem o país anfitrião. Ontem, o chefe-executivo do Comitê da Copa, Danny Jordaan, apelou para que a população sul-africana continue a mostrar entusiasmo pelo evento. O temor dos organizadores é de que, com uma provável eliminação da África do Sul na primeira fase, estádios sejam esvaziados e o torneio perca interesse no país.
Enquanto o apelo é feito, os problemas na organização se proliferam. Nesta quinta, foi a vez de 2 mil torcedores ficarem presos em vagões de trem diante de um apagão de energia.
Na quarta-feira, a equipe sul-africana foi derrotada pelo Uruguai por três a zero e praticamente deu adeus ao Mundial. Jordaan comparou a decepção ao massacre de jovens em Soweto em 1976, depois de um levante contra as medidas racistas. O levante ocorreu exatamente no dia 16 de junho. ''Ontem (quarta) foi 16 de junho e em 16 de junho de 1976 a juventude foi massacrada das ruas da África do Sul. Era pelo nosso futuro'', disse. ''Espero que o massacre dos Bafana Bafana nos campos também seja em nome do nossa futura esperança'', disse. ''Esse foi um dia de choque e dor. Pela primeira vez, as vuvuzelas estavam em silêncio.''
Jordaan apelou para que o país continuasse a dar seu apoio ao Mundial, mesmo sem o time local. ''O importante é que os torcedores continuem a vibrar além dos Bafana Bafana. O sucesso de uma Copa depende de como os anfitriões tratam seus convidados'', disse.
O governo sul-africano, que terminará o torneio com um rombo nas contas públicas, também apelou para que a Copa não seja abandonada. ''Não é a hora de abandonar as coisas, mesmo com a decepção que possamos ter depois de uma derrota'', afirmou o porta-voz da presidência, Themba Maseko. ''Desde o início da Copa, os sul-africanos tem sido gentis com nossos convidados. Precisamos continuar a fazer isso, independente do desempenho da seleção.''

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