Oposição pede renúncia de Gionédis em 48 horas
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quinta-feira, 23 de novembro de 2006
Claudio Yuge<br> Equipe da Folha 
Curitiba - E o clima tenso continua no Alto da Glória. A oposição à atual diretoria do Coritiba, liderada por Tico Fontoura, estipulou ontem um prazo de 48 horas ao presidente Giovani Gionédis para aceitar sua renúncia. Caso contrário, conselheiros e sócios devem apresentar à Mesa do Conselho Deliberativo documentos que comprovariam irregularidades durante sua gestão.
Tico Fontoura, acompanhado de conselheiros e sócios do clube, iniciou a entrevista coletiva de ontem pela manhã, em um hotel de Curitiba, rebatendo as críticas de omissão durante a temporada. ''Em alguns momentos aparecemos e em outros preferimos ficar calados para não atrapalhar. Mas algumas pessoas viram isso como omissão'', explicou o candidato da chapa de oposição à Gionédis no início do ano, em pleito que terminou com suspeita de irregularidade.
''Bastava o time perder e sempre que iam criticar a diretoria perguntavam onde estava a oposição. Mas nossa oposição fez um fato raro. Normalmente quando a chapa vencedora vai trabalhar, a oposição se dilui e isso não aconteceu com a gente'', garante Fontoura.
O ex-dirigente do Coxa afirmou que as manifestações contra Gionédis não têm cunho pessoal e sim a preocupação de manter um time competitivo. ''Não que o Geovani (Gionédis) tenha sido mau gestor ou cometido irregularidades. Nos primeiros anos ele se saiu bem. Mas com o passar do tempo, por incompetência dele e de outras pessoas, passou a investir de forma errada. Ele poderia ficar lá por 20 anos ganhando títulos por nós mas a gestão dele foi desastrosa.''
Fontoura atribui parte do desastre na temporada à saída do ex-coordenador de futebol, Domingos Moro, hoje representante dos clubes paranaenses no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Moro é um dos cotados à retornar ao clube caso haja reformulação na diretoria.
Impeachment - Fontoura acredita que não há mais clima para Gionédis continuar no cargo até o final de seu mandato, em 2008. Até porque a perícia ainda avalia suposta falsificação de documentos na última eleição do clube, o que poderia gerar o impeachment do atual presidente.
''Ele (Giovani Gionédis) está sofrendo um processo de impeachment, o próprio conselho que o elegeu o questiona. Ele tem 100% de rejeição da torcida e no ano que vem vai ter ainda mais cobranças e pouco dinheiro'', enumera o líder da oposição, ao justificar a ''sugestão'' que o grupo deu a Gionédis para renunciar do cargo em 48 horas.
Fontoura não acusou Gionédis de irregularidades, entretanto, não descartou a hipótese de outros membros do grupo de oposição apresentarem documentos que comprovariam improbidade administrativa da atual gestão. Assim, a Mesa do Conselho Deliberativo poderia convocar uma assembléia para votar a cassação do presidente. ''De nossa parte nós nunca levantamos nenhum questionamento sobre a honestidade nas transações do Gionédis. Os documentos estão sendo preparados e eles não são apenas da oposição mas também de vários conselheiros e sócios'', adiantou o líder da oposição.
Os documentos do grupo que representa a oposição devem estar prontos entre hoje e amanhã. Giovani Gionédis afirmou que só vai falar com a imprensa sobre o futuro do Coritiba na segunda-feira, após o término da Série B.


