Brasília - A oposição tomou o poder na Confederação Brasileira de Tênis (CBT). Jorge Lacerda Rosa, 38 anos, líder do movimento que derrubou Nelson Nastás, conquistou a presidência, prometeu o ''fim da bagunça'' e, já no discurso de posse, adotou tom conciliador.
''Espero que, a partir de agora, as 25 federações trabalhem juntas. Esse é o nosso interesse. A confederação não tem mais chave. Vamos parar de conjugar a primeira pessoa do singular e passar à primeira do plural'', afirmou Rosa.
O dirigente conseguiu 15 dos 25 votos em disputa em Brasília um a menos do que a lista de apoio que tinha em mãos. Apesar de a votação ser secreta, quase todos os presentes declararam sua opção, menos Antonio Esteves (Paraíba), que a princípio estava comprometido com a oposição, e Miguel Bechara (Minas Gerais).
Os dirigentes de federações que formavam o grupo da situação já haviam declarado diversas vezes que concordavam com a ''limpeza'' na administração da CBT, mas viam com ressalvas os mecanismos usados por Rosa, que desde 2002 vem travando batalhas judiciais com o ex-presidente. Nastás estava no poder desde 1993 e havia sido reeleito duas vezes em pleitos feitos mais de um ano antes do fim dos mandatos.
A eleição foi realizada com portas abertas. O grupo da situação, que apoiava José Farani ausente ontem, deu sinais de que pode entrar na Justiça para reclamar de irregularidades que teriam sido cometidas na assembléia. A terceira chapa inscrita, encabeçada por Hermenegildo Grassi, retirou a candidatura. ''Vamos analisar as atas com um pouco mais de calma. Uma apreciação mais detalhada pode dizer que estamos errados... Vamos esperar'', declarou Bechara.
A eleição de Rosa pôs fim a 11 dias de intervenção judicial na CBT. Na semana passada, liminar obtida pela federação do Distrito Federal afastou Nastás e nomeou um administrador provisório.
O ex-presidente é acusado de má administração. Investigação do Tribunal de Contas da União suspendeu em setembro o repasse de verbas da Lei Piva à entidade por causa das irregularidades. Nastás entrou com ação para derrubar a liminar, mas perdeu.
O presidente eleito quer contratar uma auditoria já na segunda, quando começa a trabalhar no cargo. Quer também, em até 60 dias, convocar assembléia para votar novo estatuto e procurar o Comitê Olímpico Brasileiro para voltar a receber verba das loterias. ''Somos uma geração nova, que é contrária a qualquer tipo de irregularidade. Se estivermos errados, estamos abertos para escutar as críticas e sugestões de quem for, presidentes, tenistas...''
A conciliação que procura agora no terreno político, Rosa já obteve entre os atletas. O novo presidente já contava com o respaldo de Gustavo Kuerten, que liderou o boicote à Copa Davis. Agora, nomeará os ex-tenistas Thomaz Koch e Fernando Meligeni como vice-presidentes técnicos.
Guga comemora Em recuperação da cirurgia no quadril nos EUA, Guga comemorou a vitória de Lacerda e confirmou o fim do boicote. ''Como eu já tinha dito antes, é um momento muito importante para o tênis brasileiro. Vamos estar novamente 100% à disposição, desde jogar a Copa Davis, a ajudar nos planejamentos, etc'', disse Guga.
O tricampeão de Roland Garros disse ainda que espera ''um trabalho sério, responsável e visando o desenvolvimento do tênis''. ''Se tivermos esta resposta, eles terão a nossa total colaboração'', declarou.
''Vamos torcer para acontecer uma reviravolta no tênis brasileiro, em que todos trabalhem juntos, incluindo as federações e os jogadores, para termos resultados daqui a alguns anos'', finalizou.

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