Opinião (Luiz Claudio Oliveira)
Há algo de verde e amarelo no reino da Dinamarca. E a Seleção Brasileira mandou de volta para o reino de Elsinor os descendentes de Hamlet. Aliás, simpáticos descendentes, que jogam um futebol bonito e leal. Um jogador da categoria de Michael Laudrup caberia muito bem no meio-de-campo brasileiro, que teve em Leonardo novamente a figura nula de jogos anteriores. Parece que ele só rende quando o time está vencendo. Infelizmente ainda não demonstrou o que sabe jogar. Fazendo mais do que ele em campo, Giovanni foi relegado à reserva da reserva. Mas não é hora de falar das tragédias e sim de exaltar as alegrias desta Copa.
No time da Dinamarca, Michael Laudrup é uma dessas alegrias do futebol. Ele despede-se da seleção de seu país mostrando que é possível a um jogador continuar produtivo, criativo e em ótima forma física aos 34 anos. É um dos destaques desta Copa do Mundo. Adeus Dinamarca, você foi brava e jogou belo futebol.
Belo futebol também jogam as seleções classificadas para a fase semifinal. São entre todas as 32 que participaram da Copa, felizmente, as que jogam um futebol mais ofensivo. Talvez a Croácia seja a única que dependa mais dos contra-ataques, além da inspiração de alguns bons jogadores como Suker e Boban (já imaginaram se Croácia e Iugoslávia continuassem unidas, que bela seleção concorrente ao título eles não teriam?).
A França, além da torcida a favor e da Marselhesa, tem um time que gosta de jogar no ataque e uma defesa comandada pelos excelentesDesailly e Blanc. Mas vem de duas prorrogações seguidas - contra o Paraguai e a Itália e os jogadores podem estar esgotados.
Holanda, o adversário de amanhã do Brasil, botou a Argentina na roda por pelo menos meia hora, no final do primeiro tempo e começo do segundo. Nem depois da expulsão do holandês Numan, a Argentina soube se safar da marcação perfeita no setor de meio-de-campo. É desde a intermediária, já no campo do adversário, que eles começam a marcar, e bem. Se roubam a bola, estão bem próximos do gol. Também têm qualidade a partir da defesa. Seus volantes, além de marcar muito bem, sabem sair jogando e driblando, chegando muitas vezes em condições de arrematar ao gol. Mais do que nunca o Brasil vai precisar de uma defesa atenta.
A vantagem brasileira é que o tipo de jogo ofensivo dos holandeses pode dar espaços a Ronaldo, Bebeto, Rivaldo (e tomara que Leonardo volte a jogar bem como fez contra o Chile). No segundo tempo, Denílson poderá ser o homem chave para encontrar espaços em contra-ataques fulminantes. Cafu vai fazer falta, a menos que Zé Carlos seja uma agradável surpresa. A Seleção precisa de atenção, velocidade e determinação para chegar à final sonhada por Platini e todos os franceses: Brasil e França.





