Os últimos episódios ocorridos na Seleção Brasileira tiram o favoritismo absoluto da equipe de Zagallo no confronto desta tarde contra o Chile, nas oitavas-de-final da Copa da França. Não bastasse a indefinição tática da Seleção, o ambiente entre os jogadores é péssimo. Desconfio que ‘‘roupa continua suja’’, mesmo após a tal reunião de anteontem para ‘‘unir o grupo’’.
Ronaldinho critica Rivaldo que não lhe passa a bola; Rivaldo devolve dizendo que sempre jogou assim e que não adianta dar a bola pro número um do mundo porque ele está marcado por até três jogadores; o experiente Dunga mostra imaturidade, fez birra e decidiu ficar calado contra a Noruega; Roberto Carlos é criticado por não avançar e devolve dizendo que está sendo boicotado.
Há, nisso tudo, um grande choque de vaidades entre nossos craques, cujos interesses comerciais são distintos. Ronaldinho é o número um da Nike; Dunga, o divulgador da Reebok; e Rivaldo, o garoto da Mizuno. Cada um dos craques da Seleção tem contrato com patrocinadores diferentes e, na ânsia de vender o seu peixe, esquece o principal: jogar futebol.
Isto tudo acontece porque falta um comando na Seleção. Zagallo não tem os jogadores sob controle. Só tem-se preocupado em dar troco em adversários e desafetos da imprensa brasileira. Sua vitória pessoal parece ser esta tática de camisa-de-força que impôs à equipe.
Contra a Noruega foi demais. Anunciou uma disposição tática (4-3-3) e colocou outra em campo (4-4-2). Os jogadores, especialmente Ronaldinho, Rivaldo, Leonardo e Denílson, pareciam meras peças de um jogo de peabolim (totó): ficaram fixos em suas posições facilitando a marcação Norueguesa. Depois de inventar o tal número um, Zagallo criou agora a tática peabolim. Aqui não culpo apenas o técnico, porque um craque tem que ter personalidade suficiente para se livrar de um esquema de jogo que inibe o seu talento.
Pelos relatos que estamos tendo da França, o Brasil sequer tem uma tática definida. Joga mais na inspiração, disposição e no ‘‘dia de lua’’ de seus jogadores. Em suma, uma série de talentos reunidos e desperdiçados nas mãos de Zagallo.
Tudo isso somado, me leva a crer que teremos enormes problemas hoje contra o Chile. O problema maior não é o time chileno. O inimigo não está do outro lado do campo, está entre nossas próprias linhas. Nossa defesa provou contra a Noruega que não suporta pressão e é batida facilmente nos contra-ataques. Nosso meio-de-campo alterna bons e maus momentos, com ênfase para este último. Nosso ataque - será que veio à Copa? - ainda está devendo. Nosso banco de reservas, pouco testado, não inspira otimismo. Enfim, o Brasil corre o risco de perder para si mesmo.

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