Opinião (Claudemir Scalone)


Romário e os trapalhões
Renato Aragão e Dedé Santana, os verdadeiros trapalhões que por muito tempo animaram a criançada na TV, que me desculpem. Mas a Seleção Brasileira vem sendo comandada na França por um bando de trapalhões. O corte de Romário foi apenas uma das grandes trapalhadas.
O médico Lídio Toledo, com certeza pressionado pelo patrocinador da seleção, segurou o quanto pôde a barra do ‘‘Baixinho’’. Zagallo fez o mesmo e até garantiu que ninguém seria cortado. Zico foi o único a admitir que se Romário não estivesse recuperado estaria fora do Mundial. Ranço ou não, Zico não traiu seus princípios e ele que já enfrentou drama parecido na Copa de 86 sabe muito bem o que é entrar em campo sem condições físicas ideais.
Não estou aqui aprovando a saída de Romário da seleção. Em forma e com vontade, o ‘‘Baixinho’’ é implacável dentro da grande área e é uma perda significativa nesse amontoado de craques mal-orientados por Zagallo. A trapalhada foi o vai-não-vai cometido pela comissão técnica.
Agora, Romário e os médicos do Flamengo garantem que ele estará recuperado até o dia 16, data da partida do Brasil contra Marrocos. Se for confirmada a previsão, cometeu-se um grande equívoco com o ‘‘Baixinho’’. E, convenhamos, barrar um artilheiro nato para chamar um jogador mediano, como Émerson, é muita sacanagem. Melhor seria cortar o Edmundo que, pelo jeito, só vai causar problemas à seleção.
---
A Seleção Brasileira teve sua alma vendida pelo trapalhão-mor da CBF, Ricardo Teixeira, e se vê obrigada a cumprir jogos sem qualquer proveito por força do contrato com seus patrocinadores. Até a pobre Andorra abdicou de seu tradicional uniforme para usar outro imposto pelo patrocinador brasileiro.
Na quinta-feira, os jogadores tiverem que se submeter a uma visita a um parque montado pelo patrocinador. Ao invés de o time treinar ou aparar as arestas entre os jogadores - o incorrigível Edmundo continua aprontando e pode detonar o já péssimo ambiente da seleção -, nossos craques são expostos ao marketing barato do patrocinador.
Vai ver Teixeira e Zagallo, que aceita passivamente a imposição por estar sendo bem pago, têm certeza de que a seleção só terá moleza pela frente na primeira fase contra Escócia, Marrocos e Noruega e não estão nem aí para treinos. Ou quem sabe, o valoroso patrocinador tem todo o esquema para garantir o Brasil na final da Copa da França.
---
Apesar da trapalhada dos cartolas, o Atletiba está sendo digno da final do Campeonato Paranaense. Pena que a falta de bom-senso empurrou os dois jogos finais para o frio Pinheirão. O Couto Pereira, central e confortável, seria o melhor palco para a decisão.

mockup