Vai ser difícil evitar alguma interjeição de surpresa quando o torcedor entrar no novo Estádio do Café. À sua frente, apenas um tom vai predominar no espelho das arquibancadas, substituindo o degradê com gomos coloridos, ainda um símbolo do Torneio Pré-Olímpico e da Era Belinati.
Será quase impossível ao torcedor ficar indiferente diante do gigante azul-celeste em que está se transformando a praça esportiva mais importante da cidade. A etiqueta dos tambores indica o nome oficial da nova cor: azul especial.
''Usou-se mais resina para que a pintura tenha uma resistência maior'', informou Neri Oliveira Silva, 41 anos, dono da Oliveira Construções, responsável pela remodelagem.
A pintura começou na segunda-feira passada e deve ser concluída na manhã de sexta-feira, data original da estréia em casa do Londrina na Série B do Campeonato Brasileiro. Por enquanto, as arquibancadas descobertas já receberam mão e demão de pintura e estão prontas para receberem os torcedores. Faltam apenas as chamadas arquibancadas especiais, localizadas abaixo das cativas, que ainda estão recebendo a primeira camada de tinta.
O branco, a segunda cor do Tubarão, também estará presente nos detalhes. Para valorizar o azul, as escadarias receberam pintura deste tom. Além do branco, o fosso também recebeu uma camada de tinta cinza. O conjunto das torres de iluminação ganhou tonalidade grafite. ''Estava tudo com aspecto horrível. Agora dá gosto de ver. Está ficando bem melhor. Até incentiva o torcedor a comparecer'', disse Silva.
Com rolo ou pincel, os operários também não escondem uma ponta de orgulho quando falam do novo visual. Ainda mais que o resultado da obra deve ser desfrutado por eles mesmos, quando atravessarem a catraca e se acomodarem no grande estádio para se alegrar ou se entristecer com o Londrina no Brasileirinho.
O pintor José Luís de Andrade, 49 anos, é conhecido como Dé. O rolo é mergulhado na tinta enquanto o ex-jogador vai contando sua história. ''Comecei no Paranavaí, joguei no Café Futebol Clube, no Jandaia, no Arapongas, no Mandaguari, no Nova Esperança. Sempre gostei de futebol e sempre venho ao estádio''. O rolo vai tingindo o cimento de azul e Dé faz sua promessa. ''No final de semana estou aí e se Deus quiser o Tubarão vai ganhar'', diz o ex-meia-esquerda, admirador do lateral-direito Jamur.
O rádio transmite um programa evangélico. ''Isto aqui tava muito sujo'', lembra Cecílio Virgílio de Almeida, 52 anos. ''Mas vai ficar bonito'', diz o pintor, cujo apelido é Saci. ''Quem sabe eu não apareço no jogo?'', pergunta para si mesmo, esperançoso. Seu colega, Dejaílton Alves Rocha, 26, está na escada. Pinta as paredes da cabines de rádio, que poderão abrigar gritos entusiasmados ou desanimados de gol durante o campeonato. Evangélico, disse que não gosta mais de futebol, mas lembra que já veio muitas vezes no estádio. ''Gostava do Tubarão'', diz, com ponta de saudade.

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