Rio - Um dia depois de promoverem uma paralisação de advertência, os operários que trabalham na reforma do Maracanã retomaram o expediente normal na manhã desta terça-feira. O retorno às atividades já estava previsto, mas ainda existe ameaça de acontecer uma nova greve, o que comprometeria as obras do estádio, cujos prazos de entrega estão no limite - o local será um dos palcos da Copa das Confederações, marcada para acontecer entre 15 e 30 de junho.
Ainda na segunda-feira, durante a paralisação de um dia nas obras, aconteceu uma nova reunião entre representantes do consórcio Maracanã 2014, responsável pela reforma do estádio, e do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada Intermunicipal do Rio (Sintraicp). E o acordo ficou mais próximo.
Nesse encontro, o consórcio formado pelas construtoras Odebrecht e Andrade Gutierrez elevou a proposta de reajuste salarial para 11%, depois de os operários terem pedido por um aumento de 15%. Anteriormente, em uma reunião que terminou sem acordo, na última sexta-feira, foi oferecido uma elevação de 8% nos salários.
Uma nova assembleia deverá ser realizada ainda nesta semana, nesta quarta ou na quinta-feira, para saber se os trabalhadores vão aceitar ou não a proposta de 11% de reajuste feita pelo consórcio. Os operários ainda reivindicam o pagamento de cesta básica de R$ 330, plano de saúde também para familiares, participação nos lucros de dois salários, além de hora extra de 100%.
Quando promoveram a paralisação de "advertência" na última segunda-feira, os trabalhadores não descartaram promover na próxima semana uma nova greve nas obras do Maracanã - seria a terceira, depois de uma em agosto (de cinco dias) e outra em setembro (19 dias) de 2011. E isso assusta os responsáveis pela reforma.
Palco das finais da Copa do Mundo de 2014 e da Copa das Confederações de 2013, o Maracanã teve justamente na segunda-feira o início de uma das etapas mais importantes de sua reforma: a instalação da polêmica lona de cobertura, que deveria ter sido concluída no ano passado. No caso, a decisão de demolir a antiga cobertura para substituí-la pela nova lona tencionada encareceu a reforma em mais de R$ 200 milhões - hoje, o custo total está em cerca de R$ 860 milhões.
Está marcado para 24 de abril o primeiro "evento-teste" do Maracanã, que será um jogo fechado apenas para os trabalhadores da reforma. O prazo limite de entrega do estádio à Fifa é o dia 24 de maio, visando a Copa das Confederações. Antes da competição, o local receberá o amistoso entre Brasil e Inglaterra, em 2 de junho.

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