Operários morrem em acidente no Itaquerão
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quinta-feira, 28 de novembro de 2013
Das Agências 
São Paulo - Um acidente ocorrido no começo da tarde de ontem destruiu uma parte do Itaquerão, novo estádio do Corinthians que está sendo construído em São Paulo, e provocou duas mortes. A obra foi paralisada pela Odebrecht, a construtora responsável.
Os mortos no acidente foram Fábio Luiz Pereira, de 42 anos, motorista/operador de Munck da empresa BHM, e Ronaldo Oliveira dos Santos, de 44 anos, montador da empresa Conecta.
Responsável designado pelo Corinthians para cuidar das obras do Itaquerão e ex-presidente do clube, Andrés Sanchez qualificou como uma "fatalidade" a morte de dois operários, nesta quarta-feira, após a queda de um enorme guindaste sobre parte da estrutura do estádio que receberá o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2014.
Andrés enfatizou que apenas a perícia poderá indicar as causas do acidente e lembrou que presenciou de perto o drama. "Eu estava no momento do acidente. Eu ia até um pouco mais perto para ver a peça. A segurança da construtora não me deixou passar. E comecei a ouvir o barulho. Qualquer acidente com vítima é grave... Fatalidades, infelizmente, acontecem", lamentou.
O responsável pela obra do Itaquerão também deixou em segundo plano o prazo para entrega do estádio à Fifa, que deverá ocorrer com atraso após esta tragédia. "Neste momento não estamos pensando nisso. As autoridades vão fazer o que deve ser feito. O que menos temos que pensar é sobre cronograma. Estamos preocupados em atender às famílias (das vítimas)", frisou.
Já ao falar mais precisamente sobre como teria ocorrido o acidente, Andrés lamentou o fato de que não há nada que compense a perda de duas vidas, assim como admitiu que uma das vítimas estava descansando em local errado naquele momento. "Queria que entendessem a dor que estamos sentindo. Vítimas não voltam, mas as famílias vão ter todo o suporte e assistência. Um estava no caminhão participando da operação do guindaste. Um outro cidadão estava na hora de descanso, em um túnel e ninguém viu. Ele mesmo sabia que não deveria estar lá. Ele estava cochilando, não deu tempo de sair", afirmou.
Irritado durante a entrevista coletiva, Andrés também criticou informações erradas que chegaram a ser divulgadas nesta quinta, como por exemplo a de que aconteceram três mortes no acidente, e não duas, conforme o próprio Corpo de Bombeiros chegou a divulgar, antes de se corrigir. "Foram duas vítimas e mais ninguém com nenhum arranhão", decretou.
Interdição
Frederico Barbosa, engenheiro que é gerente operacional da Odebrecht, confirmou que "extraoficialmente" 30% das obras do Itaquerão estão interditadas. Gerente da obra do estádio que abrigará a abertura da Copa de 2014, Barbosa assegurou também que a estrutura do local atingida pela queda do enorme guindaste de 500 toneladas "não sofreu nenhum comprometimento". "Houve danos na parte do prédio, mas nada que comprometa a segurança da estrutura", avisou.
O engenheiro também assegurou que os procedimentos para operação do guindaste que despencou estava sendo feita de forma correta. "O procedimento estava em evolução, nada fora do que estava programado. Esperamos o momento ideal para a operação, tinha parado de chover, as condições estavam boas", disse Barbosa.
O Corinthians divulgou duas notas oficiais sobre o caso. Na primeira, disse "lamentar profundamente o acidente ocorrido". E na segunda, o clube decretou luto de sete dias pelos funcionários que foram mortos.
Com orçamento de R$ 820 milhões, o Itaquerão é um antigo sonho corintiano. Sede de São Paulo, o estádio receberá seis jogos na Copa de 2014, incluindo a abertura. As obras seriam entregues até o final de dezembro, mas, com o acidente desta quarta-feira, deve haver atraso.


