Recife - Operários em greve que trabalham nas obras da Arena Pernambuco, estádio que irá receber jogos da Copa do Mundo de 2014 e está sendo construído em São Lourenço da Mata, na região metropolitana do Recife, entraram em confronto ontem com a Polícia Militar, às margens da BR-408. Eles ficaram revoltados porque, de acordo com o sindicato da categoria, o Sintepav-PE, a polícia impediu a realização de uma assembleia ao retirar o carro de som sob a alegação de que estaria atrapalhando o trânsito. Um trabalhador que dirigia o veículo foi detido porque estaria sem carteira de habilitação.
A paralisação teve início na última terça, conta com a adesão de 95% dos 1,4 mil trabalhadores - segundo avaliação do Sintepav-PE - e tem por objetivo a reintegração de dois operários demitidos e a saída do coronel reformado da PM, Eduardo Fonseca, contratado pela empreiteira Odebrecht para fazer a segurança no canteiro de obras.
Os trabalhadores não têm nenhuma reivindicação salarial. Eles denunciam assédio moral e maus tratos por parte do coronel. ''A ditadura acabou, não tragam o quartel para dentro da obra'', afirmou o assessor do sindicato, Rogério Rocha, ao reiterar a opressão contra os operários. ''Se reclamam, são ameaçados de demissão; se vão deitar em um momento de descanso, molham o chão para impedir; se saem do refeitório com uma laranja, tomam''. O sindicalista garante ter sido ilegal o afastamento dos dois trabalhadores, pois eles integrariam a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (Cipa).
Em nota, a Odebrecht informou que irá pedir, ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 6. Região que seja declarada a abusividade da greve. Disse que os operários temem voltar ao trabalho devido à ação do sindicato e informa que ''por iniciativa do Governo do Estado, a Polícia Militar está presente no exterior do canteiro para proteger o patrimônio e os trabalhadores''. (A.E.)

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