OPERAÇÃO SÉRIE C - No Tubarão, a sensação do dever cumprido
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sábado, 23 de julho de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
Foram quatro meses de trabalho, pressão, angústia, incertezas, cobranças pouco dinheiro e uma pergunta: como levar o Londrina de volta à Série B do Campeonato Brasileiro?
Essa foi a rotina nos corredores do VGD, na sede do Londrina Esporte Clube depois do fim do Campeonato Paranaense. ''Mesmo no Paranaense eu já estava peocupado com a Série C. Pensava em como ajustar as coisas nesse intervalo sem perder o embalo. Pensei: e agora, o que será? Segurar os jogadores quatro meses sem recursos?'', confidenciou o presidente Agostinho Miguel Garrote. ''Essa entressafra é muito desgastante''.
Agora, a preparação para a Série C chega ao fim. É hora de colher os resultados, sejam bons ou decepcionantes. A partir das 16 horas do próximo domingo, quando os jogadores entrarão no campo do Estádio Morenão, em Campo Grande, para enfrentar o Operário, o Londrina inicia sua caminhada que pode terminar na Série B de 2006.
Nestes quatro meses foram muitas viagens. Conheceu artistas, visitou políticos, conseguiu parcelar uma multa na CBF em 25 meses e garantiu a presença da torcida no primeiro jogo em casa pela compeitção nacional, dia 7, contra o Cianorte. ''Consegui algumas situações pequenas de imediato, mas muitas situações vão estourar no futuro'', disse o presidente, candidato à reeleição, se referindo a possíveis parceiros.
O responsável por formar o grupo de jogadores foi o coordenador de Futebol, Sidiclei Menezes. Foram muitos dias ''pendurado'' no telefone negociando, pechinchando, tentando conseguir algum ''desconto'' no salário de jogadores para poder montar o elenco. ''Olha, foi um dureza danada no começo. A gente não tinha dinheiro, o campeonato estava longe, não dava nem para negociar com os jogadores porque eu não sabia o que podia gastar'', contou Menezes. Mas então, sem ninguém injetar dinheiro no clube, como foi possível a contratação dos 25 jogadores e da comissão técnica? ''Só consegui pela amizade, conhecimento e credibilidade'', afirmou o dirigente. ''Fiz o que foi possível''.
Menezes trabalhou em silêncio, sem alardes. Não queria perder jogadores para rivais. Até mesmo o nome do técnico Roberto Fonseca só foi revelado após a sua contratação. O coordenador chegou a sonhar com Adãozinho, Esquerdinha, Macedo, o goleiro Ronaldo, mas viu o sonho de trazer medalhões esbarrar na porta dos caixas do clube. De consolo, trouxe o zagueiro Ronaldo Marconato para ser a estrela solitária. ''Queria poder montar um elenco maior, um grupo mais forte e com mais estrutura para os jogadores'', reclamou.
Quem também trabalhou muito nos bastidores neste período foi Fonseca. Com seu conhecimento no futebol do interior paulista, o treinador conseguiu convencer jogadores experientes e acostumados com a Série C a encarar o projeto alviceleste, como é o caso do volante Goiano, hoje, seu capitão. ''Fica a sensação de que foi feito o que podia se fazer, dentro das nossas lmitações'', comentou o treinador.
Entre os jogadores, quem viveu esse clima de espera foi o apoiador Edmilson. ''Você fica na expectativa. Começa a pensar, vem um monte de coisas na cabeça, tipo como vai ser o campeonato, o time. Fica querendo jogar logo'', contou o ex-capitão.
No discurso de todos há uma certeza: o time tem condiçõs de fazer um bom papel. ''Subir é uma consequência'', ressaltou Menezes.


