Ong vai ajudar o Cincão
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Lúcio Flávio Moura<br>De Londrina 
Ainda falta tudo, mas sobra vontade para uma organização não-governamental ''adotar'' os bons de bola da região dos Cinco Conjuntos, na zona norte de Londrina.
A Associação Esporte, Educação e Cidadania já tem estatuto, 15 voluntários comerciantes, contadores, advogados, professores e um plano de ação modesto para começar.
Com R$ 4 mil por mês, os integrantes da ONG prometem atender cerca de 100 crianças carentes da Zona Norte. A receita garantiria ao garoto uma cesta básica, tênis e chuteiras, além de benfeitorias nos dois campos do Clube Atlético Londrinense (Cal), que patrocina o projeto.
O Cal foi formado há oito meses e é mantido por nove cotistas. O time deve disputar campeonatos amadores no próximo ano e em 2003 já deverá estar no futebol profissional. ''O primeiro objetivo é envolver os moradores da região em torno do clube para que haja uma identificação durante a disputa dos campeonatos. Hoje temos uma grama razoável, as marcações de cal, as traves... E nada mais. Nem água para irrigar o campo não temos'', diz Luis Carlos Pereira, o Carlinhos, comerciante no Cincão que é presidente do CAL e patrono da iniciativa. ''Até agora a escolinha foi bancada pelo nosso próprio bolso e agora chegou a hora da comunidade ajudar'', conclama.
O Cal tem uma escolinha que atende 112 crianças de 9 a 14 anos. Os garotos não pagam nada e são cuidados por apenas um treinador, Gérson Lélis. Boa parte treina descalço por não ter como comprar uma chuteira ou tênis.
Graças a uma parceria firmada com o RS, clube de futebol de propriedade de Paulo César Carpegiani, ex-jogador da Seleção Brasileira e técnico de prestígio nacional, dois adolescentes que viviam na pobreza ganharam uma chance de ascensão social. O zagueiro Ronaldo, 19 anos, e o meia-ofensivo Fernado, de 17 anos, estão em Alvorada (Região Metropolitana de Porto Alegre), treinando para disputar a Segundona gaúcha. Pelas condições econômicas das famílias, ambos corriam o risco de abandonar o esporte em busca de um subemprego para ajudar os pais. ''Vários garotos que treinam hoje estavam nas ruas se drogando. O Cal está ajudando as famílias do Cinco Conjuntos e queremos ampliar o trabalho com a ONG'', justifica.


