ONG de Ana Moser faz críticas a novo ministro
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terça-feira, 30 de dezembro de 2014
Folhapress 
São Paulo - A nomeação de George Hilton (PRB-MG) para o Ministério do Esporte, anunciada no dia 23 pelo Planalto, desagradou a ONG Atletas pelo Brasil, liderada por esportistas como a medalhista olímpica Ana Moser. Em comunicado distribuído nesta segunda-feira, a organização formada por cerca de 60 atletas diz que estão se sentindo "envergonhados e desprestigiados, vendo que o esporte no Brasil continua sendo encarado como algo menor".
No manifesto, a Atletas pelo Brasil destaca que o país está às vésperas dos Jogos Olímpicos do Rio-2016 e esperava uma postura diferente da presidente Dilma Rousseff. "Às vésperas da Olimpíada, a presidente Dilma abriu mão de uma oportunidade de melhorar a gestão do esporte. Decepcionou todo um setor de atletas, jornalistas, empresários, organizações, trabalhadores e amantes do esporte em geral."
A promoção do megaevento de 2016, que será realizado pela primeira vez na América do Sul, é dividida entre município e Estado do Rio e o governo federal. "Infelizmente, há anos, o Ministério do Esporte é usado na barganha política. Não se trata de decidir quem seria a melhor pessoa para ocupar o cargo, mas qual partido o terá de acordo com as alianças e que decidirá a seu bel-prazer quem o representará. Nem mesmo uma familiaridade com o tema é observada, o que traz enormes prejuízos ao esporte e ao país em um setor que está à frente de um enorme investimento com os megaeventos esportivos", diz a ONG.
Deputado federal pelo PRB-MG desde 2007, Hilton assume o cargo no lugar de Aldo Rebelo, do PC do B - partido que chefiava o Ministério do Esporte desde 2003. Ele não tem registro de nenhuma ligação com o esporte em sua passagem pela Câmara. Nenhum projeto de lei apresentado por ele tratou do tema. Hilton foi relator de 48 proposições, mas sua nova incumbência não foi objeto de nenhuma delas. Nas 97 vezes em que discursou no plenário da Câmara, não mencionou políticas esportivas, a Copa deste ano ou os Jogos.
"Nós, atletas, não podemos mais ser mais usados simplesmente para fotos conjuntas em momentos de vitória nacional. Vamos ser francos, essas conquistas são muitas vezes obtidas a despeito da política esportiva, da legislação e da condução nacional do esporte. E, em alguns casos, encontrando até forças contrárias a dificultar o caminho. Se os governantes querem estar ao lado das vitórias, devem tomar consciência da sua enorme responsabilidade nas derrotas", afirma o manifesto dos atletas brasileiros.


