Uma enxurrada de pedidos de liminares promete aumentar ainda mais a confusão em torno do Campeonato Brasileiro deste ano. Depois de conseguir uma liminar na Justiça, impedindo a realização do torneio pela CBF, o Gama também tentará barrar a Copa João Havelange, idealizada pelo Clube dos 13. A tática será semelhante à utilizada por sindicatos nos processos de privatização das estatais. ‘‘Em cada Estado alguma entidade vai entrar com liminar contra esse torneio’’, antecipa o advogado Paulo Goyaz. ‘‘Serão 27 liminares e qualquer juiz do País poderá impedir esse torneio.’’
Para o advogado do Gama, o Clube dos 13 não tem condições jurídicas de organizar a competição. De acordo com ele, a Lei Pelé estabelece que os campeonatos ou torneios só podem ser organizados por três entidades: administrativa, de prática desportiva ou Liga. ‘‘Como o Clube dos 13 não é de prática desportiva e nem constituiu uma Liga, ele só pode ser uma entidade administrativa’’, explica Goyaz. ‘‘E com tal não poderia concorrer com a CBF, porque o estatuto da Fifa só admite uma entidade.’’
Com esses argumentos, Goyaz viajará segunda-feira para Zurique (Suíça), onde tentará convencer a Fifa a levantar a punição ao Gama. ‘‘Se o Clube dos 13 insistir em organizar o torneio, todos os times participantes poderão ser desfiliados pela Fifa e perderem o passe dos seus jogadoress’’, argumenta Goyaz.
Para ele, a única solução seria a CBF retomar o Campeonato Brasileiro, incluindo ou excluindo Gama e Botafogo. ‘‘Aceitamos participar de um campeonato com 21 ou ficar de fora, desde que o Botafogo também fique’’, disse o advogado do Gama. Caso contrário, Goyaz acha que não haverá nenhum campeonato neste segundo semestre. ‘‘Aí vai começar o inferno astral deles’’, promete o advogado.
Já o presidente do clube brasiliense Wagner Marques negou a denúncia da CBF e do dirigente do Clube dos 13, Eurico Miranda, de que o Gama teria pedido US$ 2,5 milhões para desistir da causa. ‘‘Isso é tão absurdo que até o valor é ridículo.’’

mockup