Marcelo AlmeidaAtirandoMoura: denúncia contra Vicente Rodacki envolve repasse de dinheiro para a Associação dos Cronistas EsportivosO presidente afastado da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Nilo Rolim de Moura, tentou ontem nova cartada para evitar a cassação definitiva de seu mandato, que será votada em assembléia hoje à noite na FPF. Moura apresentou documento acusando o administrador temporário da FPF, Vicente Paschoal Rodacki, nomeado pela Justiça para apurar supostas irregularidades cometidas por ele, de ‘‘estar roubando a Federação’’.
A principal acusação de Moura refere-se ao ‘‘sumiço’’ de parte do dinheiro descontado no borderô dos jogos do Paranaense deste ano. De acordo com o presidente afastado, Rodacki diminuiu de 10% para 5% o valor cabível à FPF e ordenou que os 5% restantes fossem distribuídos em outras despesas, como a parte da Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná (Acep), que tem direito a 0,5% da renda líquida de todos os jogos - menos nos de Londrina e Ponta Grossa, que não concordaram em pagar a taxa quando fossem mandantes.
Conforme explica Moura, o boletim financeiro dos jogos mostra que a Acep estaria recebendo 3% do valor da renda. Nos documentos anexados na acusação de Moura, no entanto, consta uma carta do presidente da Acep, Oldemar Kramer, informando que a Acep nunca recebeu 3% das rendas. ‘‘Quero saber o que o Rodacki fez com essa diferença’’ - indagou Moura.
O presidente afastado também aproveitou para se defender das supostas irregularidades apontadas num relatório de Rodacki divulgado na semana passada. Uma das acusações era da não entrada no caixa da FPF de R$ 15 mil pagos por uma empresa de promoção e de R$ 4.000,00 pagos por uma igreja que alugou o Pinheirão. Moura apresentou o comprovante de depósito em conta corrente dos R$ 15 mil, mas não dos R$ 4.000,00, que segundo ele teriam sido usados para pagar despesas da FPF.
Vicente Rodacki disse que a alteração na forma de arrecadação de parte da renda cabível à FPF foi feita para que sobrasse mais dinheiro para pagar contas. Parte da renda, explicou, estava penhorada para pagamento de despesas com empresas de factoring e por isso foi feita uma ‘‘máscara’’ para driblar essa penhora. ‘‘A Acep nunca recebeu 3% da renda porque nunca pagamos isso. Apenas lançamos no boletim para sobrar mais dinheiro para pagarmos contas e salários dos funcionários’’, disse Rodacki, ressaltando que poderá processar Moura.

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