O presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Rolim de Moura, 53 anos, foi preso ontem ao meio-dia pela Polícia Federal de Curitiba, quando saía de carro de sua casa. Os policiais fizeram cumprir a decisão do juiz auxiliar da 2ª Vara Criminal Federal, Nivaldo Brunoni, que, na sexta-feira, condenou Moura a quatro anos e dois meses de prisão por crime de sonegação fiscal. Ele deixou de recolher R$ 525 mil ao INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Os impostos eram referentes aos jogos promovidos pela Federação entre dezembro de 1995 e junho de 97.
Logo após a prisão, o advogado de Onaireves, Lourival Barão Marques, entrou com pedido de relaxamento de prisão e de arbitramento de fiança. Mas às 17h45 a juíza de plantão Sílvia Regina Salau Brolo negou o requerimento. Marques disse que tentaria ainda ontem um habeas-corpus junto ao Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre. Para agilizar o processo, seria nomeado um advogado no Rio Grande do Sul.
O advogado de Moura chegou às 18 horas para conversar com seu cliente e saiu com a incumbência de providenciar colchonete e cobertor para que ele não passasse frio. Marques disse ter estranhado a rapidez da Justiça em prender o presidente da Federação. ‘‘Na Justiça nada é impossível, mas houve uma pressa muito grande para cumprir o mandado de prisão’’, afirmou. Marques ficou 25 minutos com Moura e garantiu que seu cliente estava bem. ‘‘Ele está tranquilo, pois já enfrentou situações muito mais difíceis e saiu de todas’’, comparou.
Ex-deputado federal pelo PSD entre 91 e 93, Onaireves Moura foi cassado e perdeu o mandato por compra de deputados. Ele também foi afastado por seis meses da Federação no ano passado pelo não pagamento de IPTU à Prefeitura, além de outros impostos. Moura tem planos de voltar à política com uma candidatura a deputado federal.
Segundo o advogado, seu cliente não ofereceu qualquer resistência à ação policial. ‘‘Ele só ficou muito surpreso com o que aconteceu’’, afirmou. Por determinação do delegado José Milton Rodrigues da Polícia Federal, a imprensa não pôde entrevistar o presidente da Federal.
Mas pelos monitores instalados na recepção da Polícia Federal foi possível vê-lo saindo da cela para conversar com o advogado e retornar logo em seguida. Moura foi colocado junto com outros três detentos: dois portugueses com processo de extradição e um advogado com acusação de sonegação fiscal.
A defesa do presidente da Federação alega que a condenação foi arbitrária, pois já havia um processo de negociação das dívidas com o INSS. O advogado afirmou que o débito havia sido parcelado dentro do programa de Refinanciamento Fiscal (Refis) do governo federal. ‘‘Entramos no Refis e desde fevereiro estamos pagando as parcelas em dia’’, assegurou. A Federação é obrigada a pagar 1,5% de sua receita ao INSS. Independente do habeas-corpus, o advogado entrará com recurso no Tribunal Regional Federal para tentar reverter a decisão dada em primeira instância. A justificativa será o pagamento da dívida junto ao Refis.

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