Onaireves chefia delegação brasileira
Valmir Denardin
Além do meia Alex, titular na equipe de Wanderley Luxemburgo, há um segundo paranaense na Seleção Brasileira que disputa a Copa América. O presidente da Federação Paranaense de Futebol, Onaireves Moura, assumiu, no último sábado, o cargo de chefe da delegação no torneio.
Trata-se de uma função meramente simbólica. Ela teve importância na época em que as comunicações não eram tão desenvolvidas. Nas concentrações para torneios no exterior, o chefe da delegação acabava tomando decisões em nome da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD). Com o advento da telefonia celular, do fax e da Internet, isso deixou de existir.
Tradicionalmente, são escolhidas para a função pessoas ligadas ao futebol e com bom trânsito na cúpula da cartolagem e nos meios políticos. De certa forma, Onaireves reúne essas duas condições. Preside a Federação Paranaense há 15 anos e foi presidente do Atlético. Deputado federal pelo PSD, teve o mandato cassado em 1993, acusado de subornar colegas para ingressar no seu partido. Ele nega as acusações e se declara injustiçado (leia texto ao lado).
Para Onaireves, sua principal atribuição na Copa América é possibilitar que a Seleção tenha tranquilidade necessária para fazer seu trabalho e conquistar o título. Leia os principais trechos da entrevista concedida ontem, poucas horas antes da estréia do Brasil, no Hotel Bourbon, em Foz do Iguaçu, onde a Seleção está hospedada.
Folha - Quais são as atribuições e qual a importância do cargo de chefe da delegação brasileira na Copa América?
Onaireves Rolim de Moura - A atribuição principal é estar em contato com os organizadores da competição e com as autoridades locais e regionais para que a Seleção possa ter a tranquilidade necessária para fazer seu trabalho.
Folha - Como está indo esse trabalho até agora?
Moura - Muito bem. A atuação da segurança é muito boa. No hotel, estamos recebendo um tratamento muito bom. A imprensa tem se comportado muito bem. O que precisamos, agora, é ganhar os jogos.
Folha - O que o futebol do Paraná ganha com sua indicação para chefiar a delegação brasileira?
Onaireves - Primeiro, eu espero que a Seleção ganhe o título. Estamos aqui, em nome das autoridades do Paraná, procurando fazer com que a Seleção tenha todo o conforto. Por outro lado, fazer com que a população tenha uma imagem boa da Seleção. Queremos ser cordiais com as pessoas e as autoridades. Precisamos fazer com que a torcida compareça aos jogos para incentivar a Seleção a ganhar mais essa competição.
Folha - Essa nomeação o credencia para disputar cargos futuros na Confederação Brasileira de Futebol? O senhor aspira à presidência da CBF?
Onaireves - Não, não. Eu, na verdade, recebi esse cargo com honra e satisfação. É importante para mim, que já fui presidente de clube (Atlético Paranaense) e, nos últimos 15 anos, sou presidente da Federação. Tinha até saudade de conviver com uma delegação.
Folha - O senhor pretende se candidatar a algum cargo político?
Onaireves - Não. Tudo na vida são etapas, que você precisa superar. Em algumas delas você tem sucesso; nas outras, nem tanto. Na política, acho que uma das grandes coisas que pude realizar foi ter aprovado a Lei dos Bingos, que hoje gera 25 mil empregos diretos no Brasil. Se cada parlamentar tivesse criado uma atividade que desse 25 mil empregos, não haveria desempregados no Brasil. O dia que eu quiser voltar a Brasília, o povo e os meus amigos vão me conduzir. Mas não tenho essa intenção.
Folha - Como está sendo a sua rotina aqui?
Onaireves - Procuro me desdobrar. Levanto todo dia muito cedo e vou dormir muito tarde. Procuro ficar observando a distância, para que a minha presença não venha constranger a comissão técnica e nem os jogadores. Procuro fazer meu trabalho sem interferir no trabalho técnico da Seleção.
Folha - O que a região de Foz ganha com a realização da Copa América na fronteira?
Onaireves - Vai ficar um residual muito grande para a cidade. O principal são as melhorias que foram feitas no Estádio do ABC. Estamos viabilizando a iluminação do estádio. Pretendemos inaugurá-la, com um jogo noturno, até o dia 20 de julho. Os refletores já foram comprados e a montagem das torres começa amanhã (hoje). O custo da iluminação vai ficar em torno de R$ 100 mil, que será bancado pela renda do jogo-treino de domingo passado (entre os reservas da Seleção e o Foz Futebol Clube, em que foram arrecadados, segundo a administração do ABC, R$ 63 mil), além da colaboração de empresários da cidade. As torres foram doadas pela Federação.
Folha - Qual é seu principal projeto na Federação?
Onaireves - Precisamos reformular o calendário do ano 2000. Não podemos mais ter os problemas que tivemos este ano, com o acúmulo de jogos, porque os clubes estavam disputando, de forma simultânea, até três competições.
PERFIL
Nome: Onaireves Nilo Rolim de Moura
Idade: 53 anos
Formação: Ciências Matemáticas
Estado civil: casado, 3 filhos
Cargo: Presidente da Federação Paranaense de Futebol
Atuação política: Presidente do PSD no Paraná





