Olsen mantém esquema, apesar das críticas
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segunda-feira, 22 de junho de 1998
Agência Estado 
Depois de comandar um treino tático, participar de uma entrevista coletiva e posar para a foto oficial da seleção, o técnico da Noruega, Egil Olsen, resolveu passear sozinho, à tarde, pela cidade onde viveu o pintor Paul Cézanne. Sem assédio de torcedores e escondido atrás dos óculos escuros, Olsen decidiu ter os últimos momentos de sossego antes de enfrentar hoje a Seleção Brasileira.
A solidão foi providencial para o treinador se afastar dos problemas que dividem a equipe. O estilo incisivo, com poucas opções de diálogo e nada flexível para mudar o plano tático, desagrada uma parte dos jogadores. Estamos jogando de forma errada, critica o zagueiro Dan Eggen. Concentramos demais o ataque com jogadas aéreas.
Em compensação, Olsen tem apoio de outros jogadores, principalmente os que ganharam espaço na equipe. Como o goleiro Frode Grodas, segundo reserva em seu time, o Tottenham, mas titular na seleção. Confio nas orientações do treinador, principalmente quando faz modificações na equipe titular.
A divisão de opiniões até gerou boatos, como a difundida ontem pelos jornalistas noruegueses, de que alguns jogadores já ligavam para as mulheres, na Noruega, comunicando que amanhã estarão de volta para casa. Olsen não quis comentar a história. Preferiu mostrar-se inflexível: Contra o Brasil, não vou modificar o esquema tático por não ser preciso, disse. Sua equipe tem um cartel de 12 jogos sem derrota.
Olsen também não pretende montar uma marcação especial para Ronaldinho. Todo o time brasileiro merece atenção, afirmou. Se me preocupo com o Ronaldo, certamente vou ser surpreendido pelo Roberto Carlos ou o Rivaldo.
O respeito do técnico norueguês pela Seleção Brasileira é relativo. Ele sabe que não enfrentará a mesma equipe que foi derrotada no amistoso em maio do ano passado por 4 a 2. Aquele Brasil não estava tão bem preparado como está agora, reconhece. A temperatura também era bem mais amena que esse calor do sul da França.
Seu otimismo, porém, é imbatível. A Seleção Brasileira não é favorita, pois temos 50% de chance de vencer a partida, garante. A vitória, aliás, é necessária para garantir a Noruega nas oitavas-de-final. Por causa disso, Olsen modifica novamente a equipe, escalando o meia Leonhardsen que, apesar de mais baixo que a média dos jogadores (mede 1,77m), é mais habilidoso.
A Noruega é uma das poucas seleções que leva vantagem no confronto direto com a brasileira. Em dois confrontos, um em 88 e outro em 97, os noruegueses conquistaram um empate (1 a 1) e uma vitória (4 a 2).


