Olivera desafia o calor por mais um título
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terça-feira, 28 de dezembro de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 28 (AE) - No ano passado, a iugoslava Olivera Jevtic chegou incógnita a São Paulo. Sem saber falar nada além do sérvio, ficou calada durante toda a entrevista coletiva que os atletas internacionais concederam dias antes da prova. Para surpresa de muitos, Jevtic desafiou o calor escaldante da cidade e venceu com folga a corrida feminina. Este ano ela está de volta, querendo conquistar o bicampeonato para igualar a marca de Franjo Mihalic, único atleta da Iugoslávia a vencer duas vezes a Corrida Internacional de São Silvestre, em 1952 e 1954.
Na bagagem que trouxe para o Brasil, Olivera Jevtic não economizou nos filtros solares. Foi graças aos protetores que ela sobreviveu a quase uma hora de exposição ao sol quente e ao alto grau de umidade. "Venho de uma temperatura de 15 graus negativos para este calor e, por isso, preciso muito de protetor solar, além de um ótimo condicionamento físico", comentou Jevtic, este ano amparada por um tradutor de seu idioma.
Ela conta que depois que venceu a São Silvestre de 1998, prometeu aos organizadores voltar ao Brasil para lutar pelo bicampeonato. A temporada para Olivera Jevtic, no entanto, foi conturbada. Assim que voltou para a Iugoslávia como campeã da São Silvestre encontrou o país em crise por causa do conflito na região de Kosovo. "Por causa da guerra, a preparação ficou prejudicada, era difícil conseguir visto de entrada para os países onde queria competir", destaca a iugoslava.
Nas três principais provas que disputou este ano, Olivera Jevtic obteve a mesma colocação: quarto lugar nos 5 mil e 10 mil metros em Budapeste (Hungria) e na Meia-Maratona de Zurique (Suíça).
Jevtic venceu a prova do ano passado sem nunca ter corrido em São Paulo: conheceu o percurso durante a corrida. Agora, sem o fator surpresa a seu favor, acredita que será uma prova muito equilibrada.
A atleta terá a concorrência de outra européia que não tem medo do sol, a italiana Ornela Ferraro, que só não competiu no ano passado porque estava grávida. "Adoro correr no calor", garante a italiana, que também vai abusar dos cremes de proteção solar.


