OLIMPÍADA DE ATENAS - Seis paranaenses voltam com medalha
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segunda-feira, 30 de agosto de 2004
Janaina Tupan Frare<br> Especial para a Folha 
Atenas - Os Jogos Olímpicos de Atenas acabaram com uma marca histórica para o Brasil. Com quatro medalhas de ouro, três de prata e três de bronze, o País alcançou a inédita 18 posição no ranking de medalhas, passando países como Suécia (19 ), Espanha (20 ) e Canadá (21 ). O Paraná também conseguiu um feito inédito nesta Olimpíada. Seis paranaenses voltaram pra casa com medalha: três de ouro, duas de prata e uma de bronze.
O primeiro ouro olímpico da história do estado chegou com um Bicho do Paraná. O curitibano Emanuel, ao lado do baiano Ricardo, depois de ser eliminado nas oitavas-de-final de duas olimpíadas consecutivas Atlanta (96) e Sydney (2000) , conseguiu realizar um sonho. ''Agora posso dizer que sou campeão olímpico. É muito bom sentir esta sensação'', comentou o atleta. ''Agora quero voltar pra casa e sentir um pouquinho mais do que é ser um Bicho do Paraná''.
Mais dois ouros olímpicos chegaram com Giba, de Londrina, e Serginho, de Diamante do Norte. Sob o comando de Bernardinho, e ao lado de mais dez atletas, os campeões do mundo agora se tornaram campeões olímpicos. ''Ouvir o Hino Nacional é uma coisa maravilhosa. O que me vem à mente é o Brasil inteiro cantando junto. E, só de pensar nisso, fico arrepiado'', disse o oposto Giba, que, por estar disputando uma Olimpíada, perdeu o nascimento da sua primeira filha, Nicoll. ''Essa medalha é pra ela. É a luz da minha vida''.
Giba desembarca hoje em Curitiba, às 8h20. O jogador londrinense foi eleito o melhor jogador de vôlei da Olimpíada de Atenas.
Serginho, num jeito mais simplório, preferiu mandar um recado pra família. ''Coloca a 'Tubaína' na geladeira que eu estou chegando'', disse, referindo-se a marca de refrigerante famosa no Norte do Paraná e interior de São Paulo.
No futebol, Andréia Su© ntaque, de Nova Cantu e Renata Costa, de Assaí, ganharam a medalha de prata. ''Essa medalha é uma vitória pra nós. O grito das meninas, quando se classificaram para final, foi um grito de liberdade, por todo o preconceito que sofreram para jogar futebol. O futebol feminino ainda é muito discriminado no Brasil'', disparou o técnico Renê Simões.
A medalha de bronze chegou da forma mais inesperada possível. Vanderlei Cordeiro de Lima, de Cruzeiro do Oeste, que disputava sua terceira Olimpíada abandonou a prova em Atlanta e terminou em 75º lugar em Sydney liderou a maratona por mais de 20 quilômetros, e terminou em terceiro porque foi agredido por um torcedor que invadiu a pista o padre irlandês Cornelius Horan, 57 anos. ''Não culpo ninguém pelo ocorrido. É muito complicado isolar o público e a maratona não depende só do atleta que está correndo. Depende de ter o público para incentivar'', disse.
Por ter continuado a correr, mesmo depois do ocorrido, Vanderlei recebeu a medalha Barão Pierre de Coubertin, um prêmio dado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) em ocasiões especiais.
Na contagem oficial de medalhas, uma por esporte, o Paraná, se fosse país, teria empatado com Zimbabuê, na 49 colocação, com uma de ouro, uma de prata e uma de bronze.


