'Olheiros' têm trabalho reconhecido na Europa
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quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Thiago Mossini <br> Enviado à Espanha 
L'Alcúdia - Se no Brasil a função de ''olheiro'' é encarada com um ar de desconfiança tanto por parte dos jogadores como dos dirigentes de clubes, na Europa acontece o inverso. Profissionais especializados na difícil tarefa de ver um futuro jogador entre centenas de garotos a serem observados é profissão nobre no futebol e reverenciada no mercado.
''Inglaterra, Itália e Espanha são os grandes centros do futebol mundial e os clubes desses países possuem pessoas especializadas nessa área. São diretores de captação dos clubes, que trabalham exclusivamente na busca de um talento'', afirmou o ex-volante do Palmeiras e Lazio, André Bossolan, que exerceu a função no Real Madrid e no Liverpool como observador no mercado brasileiro e está sendo o intermediador do presidente do Cincão Esporte Clube, Gilberto Ponce, na apresentação da equipe aos clubes do Velho Continente.
De acordo com Bossolan, que trabalhou ainda na extinta Eurosports, que já foi uma das maiores do mundo no gerenciamento de carreiras de atletas, o profissional que exerce a função é altamente capacitado pelo clube para ter esse olhar clínico que é aguçado também pelo dom natural de cada um. Ele se dedica exclusivamente a encontrar o jogador que seja craque e junto a isso se encaixe no perfil do clube.
''Essas pessoas fazem relatórios completos dos jogadores e tudo dentro da filosofia do clube. Não adianta somente ser um grande atleta. É levado em conta uma série de habilidades físicas e psicológicas de cada um. Isso não existe ainda no Brasil. Não há gente especializada nisso'', disparou Bossolan.
No torneio Internacional de Cotif Sub-20, disputado pelo Cincão na semana passada na região de Valência, a presença dos observadores foi maciça. Eles possuem uma área reservada no estádio onde jogos são realizados. Isso é praxe em todos os torneios de base. No local, já estão disponíveis todas as informações possíveis dos jogadores que entrarão em campo.
Na hora que o jogo começa, o silêncio impera. Todos concentrados nos detalhes de cada atleta. Anotam cada detalhe, cada movimento. ''É um trabalho de muita paciência. Você tem que ver várias vezes o jogador para decidirmos, pois são muito jovens'', diz o observador Paco Gomez, de 56 anos, ex-meia do Barcelona e do Levante, que por 12 anos foi técnico nas categorias de base do Real Madrid e trabalhou também no Valência e Levante. Atualmente, ele é observador da Toldra, uma das maiores empresas do setor no mundo.
Ele conta que o trabalho dele vai bem além do campo. ''Temos que conhecer além do aspecto técnico e sim a pessoa como um todo. O futebol se joga com os pés, mas se falha aqui (aponta a cabeça), se não tem a cabeça boa, não adianta'', explicou.
Paco conta que todos os seus colegas buscam o jogador, o diferente, o acima da média e não simplesmente um bom jogador. ''Todos buscamos um Messi, um Neymar. É muito difícil de achar, mas tem que tentar, pois há'', apontou. ''O que mais conta e que chama a atenção é o aspecto técnico, o que ele é capaz de fazer tecnicamente. No caso do zagueiro, a agressividade, a antecipação, a rapidez e o biotipo'', observou.


