Olhar feminino
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sexta-feira, 16 de junho de 2006
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
O futebol mexe com boa parte da camada masculina da população a cada dia, mas a cada quatro anos, o esporte consegue mobilizar e mexer com a outra camada, a feminina. A Copa do Mundo é um momento em que o futebol se torna a linguagem universal. Tudo gira em torno do evento. E as mulheres não ficam fora desse contexto. A Folha quis saber do público feminino como fica a situação delas em época de Copa do Mundo.
A estudante de jornalismo Núbia Cibele de Oliveira Tavares, 21 anos, é do time das que são apaixonadas por futebol, que entendem tudo, assitem a todos os jogos e dão os seus palpites. ''Quando era pequena, assistia o Campeonato Italiano na tevê. Era filha única e meu pai não deixava mudar o canal no domingo. Por isso, gosto tanto de futebol e Fórmula 1'', contou a estudante.
A primeira lembrança que tem de uma partida não é das melhores. ''É de Brasil e Argentina em 90'', relembra. ''Mas o que me marcou naquela Copa foi a final entre Argentina e Alemanha. Era um churrasco pra comemorar a compra do primeiro aparelho de tevê colorido da minha casa'', revelou.
Núbia trocou Glória de Dourados-MS por Londrina para cursar jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL). Batalhou e conseguiu arrumar uma vaga de estagiária no diário esportivo Lance!. É setorista do Londrina. Assiste a treinos, jogos e tudo mais, o que lhe rendeu uma comunidade no site de relacionamentos Orkut: ''Núbia, a musa do futebol paranaense''.
Única palmeirense de uma família de santistas, Núbia tem no sangue uma explicação para tanto amor ao futebol. É sobrinha do ex-volante Clodoaldo, tricampeão mundial em 1970.
Sempre que pode vai ver de perto o time do coração. ''O bom de ter vindo morar aqui é a proximidade dos estádios'', disse.
Mas ela revela que sofre preconceito do público masculino. ''Quando falo com homens sobre jogadores e esquemas táticos, eles ficam bravos. Não gostam que mulheres entendam de futebol'', lamentou.
Entendida no assunto, ela arriscou um palpite pessimista para a Copa. ''Em tese, o Brasil tem o melhor time, mas acho que cai na semifinal. No bolão, apostei que dá Argentina'', sentenciou a ex-goleira de futsal.
Outro lado Já a amiga dela, a também estudante de jornalismo Carla Benedetti de Oliveira, 22, é do time que não pode nem ouvir falar em futebol. ''Detesto. É uma coisa que não me anima. Me irrito quando chego em casa cansada e quero ver uma programação legal na tevê e só tem futebol'', afirmou. Ela explica: ''Serve como aquele ditado do pão e circo. Param tudo para falar de futebol e não se preocupam com o que está acontecendo no País''.
No período da Copa do Mundo, quando há uma overdose de futebol na tevê, ela já tem companhia para mudar de canal. ''No período da Copa, gosto de ver as curiosidades do País e não o futebol em si. Meu namorado também não gosta de futebol e aí não tenho que ficar assistindo com ele'', comemorou.


