Única mulher entre os repórteres à beira do gramado nos jogos e treinos do Tubarão no VGD e no Estádio do Café, Odete Aparecida de Souza é quase uma lenda do rádio esportivo londrinense. Diferente das demais repórteres de tevê que vão esporadicamente ao campo geralmente para fazer matérias às vésperas dos jogos, Odete é figurinha carimbada no estádio e sabe de todas as escalações, pois conhece atletas e treinadores. Afinal, acompanha o dia-a-dia do Londrina Esporte Clube há 21 anos.
Neste período, passou por quatro emissoras. Começou ''fazendo ponta'' na Rádio Alvorada em 1985, onde o seu incentivador na profissão foi Edgar Arantes Vieira (hoje advogado), que lançou, entre outros talentos, o jornalista Gil Rocha, atual editor-chefe da RPC. Depois assumiu um programa na Rádio Tabajara, na qual ficou por poucos meses.
Os sete anos seguintes foram na extinta Cruzeiro AM, onde tomou a coragem de bancar um programa por conta própria e foi criando o seu estilo. Depois se transferiu para a Rádio Norte (AM 1160), onde está há 14 anos e onde mantém o programa Panorama Esportivo, que vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 18 às 19 horas.
Uma peculiaridade é que Odete faz todo o programa sozinha, com o apoio apenas de um técnico de som, que coloca no ar as vinhetas e os hinos dos clubes enquanto ela fala do noticiário de cada time. Ali, assim como nos demais programas esportivos do rádio londrinense, há espaço para todos os clubes que têm a preferência do torcedor norte-paranaense: Corinthians, Palmeiras, Santos, São Paulo, o Tubarão é lógico, como não poderia deixar de ser e também notícias dos times da capital: Coritiba, Atlético e Paraná.
Além de apresentar todo o programa sozinha, como faz desde os tempos da Cruzeiro AM, Odete, que é terceirizada da emissora possui uma agência de propaganda e paga pelo espaço que utiliza na Rádio Norte tem que correr todo dia atrás de anuciantes e também se desdobra para acompanhar os treinos do Londrina. ''Este ano estou buscando trazer mais informações para os ouvintes, então tenho ido nos treinos de manhã e à tarde. Mas, filho, vou te dizer, é um corre-corre que só vendo'', diz a simpática radialista.
Táxi Outro ingrediente que torna ainda mais peculiar a sua rotina e que a diferencia dos demais repórteres de rádio é que ela faz tudo isso a pé ou de táxi. ''Não tenho carro porque sempre tive medo de dirigir e acabei não aprendendo. Mas faz uma falta!'', confessa ela, que também aproveita muita carona dos colegas de trabalho, entre uma pauta e outra, entre as visitas a um cliente e outro.
Apesar das dificuldades que supera no dia-a-dia, por falta de uma estrutura mais profissional, ela se diz realizada por ''fazer o que gosta'' e por ''ter autonomia para falar o que quiser no programa, sem ter 'rabo preso' com anunciante ou dirigente de clube''. ''Se tiver que criticar uma atuação do Londrina ou alguma coisa que os dirigentes fizerem de errado vou falar sempre, diferente de alguns colegas de trabalho, que às vezes ficam atrelados ao clube'', observa Odete.
Todo esse sacrifício que ela encara ''numa boa'' seria evitado se a repórter tivesse obedecido apenas à razão e seguido a carreira de bancária, que exerceu por nove anos. ''Quando cheguei a Londrina, em 1975, aos 18 anos, comecei a trabalhar no Bamerindus, onde fiquei dois anos. Depois fui para o Sudameris e trabalhei mais sete anos. Mas como gostava muito de esporte acabei forçando a minha saída do banco para me lançar no rádio. Hoje eu poderia ser uma grande executiva financeira, mas não seria tão feliz como sou trabalhando com o esporte'', afirma.

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